Premier do Haiti anuncia demissão

O primeiro-ministro do Haiti, Jack Guy Lafontant, comunicou neste sábado sua renúncia ao Congresso, que preparava sua destituição diante da violência que tomou conta do país após um forte aumento nos preços dos combustíveis.

"Antes de chegar aqui (Parlamento), apresentei minha renúncia" ao presidente Jovenel Moise, que "a "aceitou", disse Lafontant aos legisladores.

Acompanhado por seu gabinete, Lafontant fez o anúncio após uma convocação do Congresso, que exigia sua saída do poder.

O Haiti foi sacudido por violentas manifestações entre 6 e 8 de julho, depois de o governo anunciar um forte aumento dos preços dos combustíveis, de 38% para a gasolina, 47% para o diesel e 51% para o querosene.

Dezenas de lojas foram saqueadas e queimadas, e ao menos quatro pessoas morreram durante os distúrbios.

O gabinete de Lafontant, que chegou ao cargo em fevereiro de 2017, rapidamente voltou atrás e retirou o anunciado aumento de preços.

Mas diante da falta de resposta do governo à violência, vários setores da sociedade haitiana exigiram a renúncia de Lafontant, um médico sem experiência política e amigo do presidente Moise, que ocupava o cargo desde fevereiro de 2017.

Centenas de haitianos protestaram neste sábado para exigir a renúncia de Lafontant e também a do presidente Moise.

"Não é apenas uma questão de mudar o primeiro-ministro, porque no dia a dia o povo sofre mais com a miséria, o desemprego, a insegurança e a fome", disse a manifestante Fleurette Pierre.

O Haiti está mergulhado na pobreza: cerca de 60% da população vive com menos de 2 dólares diários e é muito sensível a qualquer aumento de preços.

Em fevereiro, o Haiti firmou um acordo com o Fundo Monetário Internacional, no qual se comprometeu a empreender reformas econômicas e estruturais para promover o crescimento.

Uma das condições do acordo é a eliminação dos subsídios aos derivados do petróleo, o que acabou gerando a onda de violência.

O acordo com o Fundo também prevê que o governo mantenha a inflação abaixo dos 10%.

Na quinta-feira, após a violência gerada pelo anúncio do aumento dos combustíveis, o FMI sugeriu ao governo haitiano eliminar os subsídios de forma gradual.