Morre cardeal francês Tauran, defensor do diálogo com o Islã

O cardeal francês Jean-Louis Tauran, defensor do diálogo com o Islã, morreu na noite de quinta-feira aos 75 anos, anunciou o Vaticano nesta sexta-feira (6).

Tauran, que sofria do mal de Parkinson, presidia o Conselho Pontifício para o Diálogo Interreligioso.

Por seu alto escalão, foi encarregado de anunciar a escolha do papa Francisco em 13 de março de 2013 com o tradicional "Habemus papam", recorda a biografia divulgada pelo Vaticano.

Em 2014 foi designado camerlengo da Igreja, ou seja, responsável pela transição entre a morte e a escolha de um papa, o que não poderá cumprir.

Tauran foi um dos religiosos franceses mais importantes da Curia Romana, com uma ampla trajetória diplomática após ter sido secretário das Relações Exteriores com os Estados por 13 anos, um tipo de ministro das Relações Exteriores da Santa Sé durante o pontificado de João Paulo II.

"Os bispos da França perderam um irmão no episcopado, humilde servo da Igreja, artesão do diálogo profundo, fervoroso e lúcido com outros fiéis", comentou o porta-voz do episcopado francês, Olivier Ribadeau Dumas.

Proclamado cardeal por João Paulo II em 2003, ocupava o cargo de presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Interreligioso desde 2007 a pedido do papa Bento XVI, depois que pioraram as relações com o mundo islâmico pelo discurso do papa alemão na Universidade de Ratisbona no qual vinculou a violência com o Islã.

Erudito e poliglota, reconheceu recentemente em uma conversa com a AFP que as relações tumultuadas com o Islã ocupavam a maior parte do seu tempo.

Tauran passou a maior parte de sua vida a serviço da Santa Sé. Ordenado sacerdote em 1969 em Bordeaux, começou a sua carreira no Vaticano na Pontifícia Academia Eclesiástica no início dos anos 1970.

Em abril, visitou a Arábia Saudita, onde se reuniu com o rei Salman, na primeira viagem de um representante da Curia a esse país.

Afetado pelo mal de Parkinson há seis anos, foi condecorado em muitas ocasiões e participou dos preparativos de várias viagens papais delicadas, entre elas a histórica de João Paulo II para Cuba em 1998.

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