Juiz exige de governo dos EUA lista de crianças separadas das famílias

Um juiz da Califórnia exigiu nesta sexta-feira (6) do governo dos Estados Unidos que apresente antes da noite de sábado uma lista de crianças menores de 5 anos separados dos pais na fronteira, informou um alto funcionário governamental.

O governo do presidente Donald Trump havia pedido ao juiz Dana Sabraw para estender a data limite para reunir algumas crianças e seus pais migrantes detidos com o argumento de que precisa de mais tempo para verificar e confirmar as suas identidades, segundo documentos oficiais publicados nesta sexta.

O juiz Sabraw determinou em 26 de junho que o governo reunisse as crianças detidas menores de 5 anos com seus pais em 14 dias e as maiores em 30 dias.

Mais de 2.300 crianças, das quais cerca de cem têm menos de cinco anos, foram separadas das famílias ao longo de várias semanas e alojadas em centros administrados pelo Departamento de Saúde (HHS).

"O juiz disse claramente que não vai deixar que a administração Trump faça corpo mole para reunir as crianças com suas famílias", disse Lee Gelernt, diretor-adjunto do projeto sobre direitos dos migrantes da ACLU, principal organização de defesa dos direitos civis dos Estados Unidos.

Segundo um alto funcionário do governo, o juiz de San Diego não excluiu estender o prazo fixado originalmente, e outra audiência será realizada para este fim na segunda-feira.

No total, 11.800 menores migrantes estão atualmente retidos pelas autoridades americanas após terem atravessado ilegalmente a fronteira. Cerca de 80% são adolescentes que chegaram sozinhos ao país.

O Departamento de Justiça informou perante a corte de San Diego que o HHS "está se mobilizando de forma expedida para realizar os exames (de DNA), (mas) este processo consome um tempo importante, mesmo quando se acelera".

O HHS destacou que, dada a possibilidade de haver solicitações falsas, "confirmar o parentesco é fundamental para assegurar que as crianças sejam devolvidas a seus pais, não a potenciais traficantes" e que o governo também tem que determinar se o adulto tem histórico criminal ou poderia representar um perigo para seu filho.

Diante da indignação pública com a situação das crianças retidas, o presidente Donald Trump voltou atrás em 20 de junho na aplicação de sua política de "tolerância zero" contra a imigração ilegal e freou as separações entre pais e filhos.