Navio com quase 240 pessoas será acolhido por Malta

O navio da ONG alemã Lifeline, que está parado no Mediterrâneo com 239 deslocados externos resgatados no mar, deve ancorar em Malta, após pressões do governo italiano.  No entanto, as autoridades de Valeta ainda aguardam o aval de outros países europeus sobre a distribuição das pessoas a bordo da embarcação.   

 "Acabei de falar no telefone com o primeiro-ministro [Joseph] Muscat: o navio da ONG Lifeline atracará em Malta", anunciou o premier da Itália, Giuseppe Conte. O país é um dos que aceitaram receber os passageiros do navio, assim como França e Portugal, além da própria Malta.    

No entanto, outras três nações, Alemanha, Holanda e Espanha, ainda estão avaliando a situação, segundo o jornal "Times of Malta". Além disso, também a pedido de Roma, Valeta abrirá uma investigação sobre a ONG, que diz usar um navio de bandeira holandesa, mas o país alega não ter registros da embarcação.  O capitão do navio também será investigado, por supostamente ter ignorado instruções da Itália para deixar o resgate sob responsabilidade da Líbia. "Após a ONG Aquarius [navio da SOS Méditerranée], mandada para a Espanha, agora é a vez da Lifeline, que irá a Malta, com seu navio fora da lei que finalmente será apreendido. Para mulheres e crianças em fuga da guerra, as portas estão abertas, para todos os outros, não", escreveu no Twitter o ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, usando uma hashtag que significa "fim da invasão".    

A Itália é o 43º país do mundo que mais acolhe refugiados e solicitantes de refúgio em números relativos e o 16º em cifras absolutas, segundo os dados do último relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur): 354 mil, o que equivale a 0,58% de sua população. 

Na União Europeia, a Itália é a 11º em números relativos, atrás de Suécia, Malta, Áustria, Chipre, Alemanha, Grécia, Dinamarca, Holanda, Luxemburgo e França, nesta ordem. Em 2018, de acordo com o Ministério do Interior, 16.551 deslocados externos chegaram em solo italiano, queda de 77,39% em relação ao mesmo período do ano anterior.