Mattis chega à China para falar sobre Coreia do Norte e tensões militares

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Jim Mattis, chegou nesta terça-feira (26) a Pequim, em sua primeira visita à China, em um contexto de tensões crescentes no qual Washington busca o apoio do gigante asiático em suas negociações com a Coreia do Norte.

Em Pequim, onde permanecerá até a quinta-feira, Mattis se reunirá com altos funcionários do ministério da Defesa. O chefe do Pentágono informou no domingo aos jornalistas que o acompanham em sua visita que quer "medir" os planos estratégicos de Pequim.

Esta visita à China, a primeira de um secretário de Defesa americano desde 2014, ocorre depois que o regime comunista ativou, em maio, sofisticados sistemas de armamento em ilhas artificiais no mar da China, uma decisão destinada a apoiar as reivindicações territoriais de Pequim, mas que preocupa seus vizinhos do sudeste asiático.

O Pentágono retirou posteriormente o convite que tinha feito à China para participar de amplas manobras marítimas Rimpac, celebradas por 30 países a cada dois anos.

Depois de Pequim, Mattis viajará para Seul para se reunir com seu contraparte sul-coreano, Song Young-moo, antes de uma passagem rápida na sexta-feira por Tóquio, onde se reunirá com o ministro japonês da Defesa, Itsunori Onodera.

Nos dois casos, Mattis buscará garantir aos aliados de Washington o compromisso dos Estados Unidos de defendê-los, apesar de o presidente Donald Trump surpreender ao cancelar as manobras militares conjuntas com a Coreia do Sul.

- Tensões no Mar da China -

Jim Mattis criticou recentemente "as pretensões chinesas de reescrever a ordem mundial existente", e considerou que, "apesar das afirmações chinesas, a instalação destes sistemas armamentísticos está diretamente vinculada aos usos militares de intimidação e coação".

Pequim, que reivindica a quase totalidade do mar da China meridional perante seus vizinhos, qualificou a acusação de "irresponsável", afirmando que se limitava a defender seu território.

Desde que assumiu o cargo, há 17 meses, Mattis viajou em sete ocasiões para a Ásia, mas nunca para a China, e tampouco se encontrou com o novo ministro chinês da Defesa, Wei Fenghe.

No avião que o levou à Ásia, o chefe do Pentágono disse que se esforçaria em encontrar possíveis campos de cooperação militar com Pequim.

"As relações sino-americanas atravessam um período sensível [...] O fundamental é que os dois países sigam os princípios de respeito e compreensão mútuos para resolver suas diferenças", comentou nesta terça-feira Lu Kang, porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores.

Um editorial do jornal oficial chinês Global Times pediu a Mattis para "escutar mais do que criticar" e advertiu: "Se os Estados Unidos não conseguirem compreender o sentimento de insegurança da China e suas ações para remediar, as tensões serão inevitáveis".

- Taiwan e Pyongyang -

Um encarregado americano lembrou, sob a condição de ter sua identidade preservada, que a China é considerada um "competidor estratégico" dos Estados Unidos, o que sugere que Washington tentará manter a pressão sobre Pequim no que diz respeito à militarização no mar da China.

A exclusão da China das manobras Rimpac pode ser só "um primeiro passo", advertiu.

Outro tema que preocupa é Taiwan, uma ilha administrada de forma independente, mas sobre a qual Pequim reivindica sua soberania e aliada próxima dos Estados Unidos, apesar de não manterem relações diplomáticas formais.

Mattis espera, também, obter o compromisso de Pequim de que manterá a pressão sobre o regime de Pyongyang para convencê-lo de que renuncie às suas armas nucleares, depois da cúpula histórica de 12 de junho em Singapura entre Donald Trump e o líder norte-coreano, Kim Jong Un.