Emissário da ONU chega ao Iêmen para reunião de emergência sobre Hodeida

O emissário da ONU para o Iêmen desembarcou neste neste sábado na capital Sanaa para negociações de urgência sobre Hodeida, porto estratégico sob controle dos rebeldes huthis xiitas e cenário de uma ofensiva das forças pró-governo que poderia provocar uma nova tragédia humanitária.

Analistas temem que a ofensiva contra Hodeida, iniciada na quarta-feira pelas forças pró-governo, apoiadas por uma coalizão liderada pela Arábia Saudita, provoque a fuga de milhares de pessoas e interrompa a ajuda humanitária, que chega ao país principalmente através do porto desta cidade, às margens do Mar Vermelho.

Uma ajuda fundamental para este país em guerra há três anos, que enfrenta a "pior crise humanitária do mundo", de acordo com a ONU.

O representante das Nações Unidas, Martin Griffiths, deve propor aos líderes dos rebeldes huthis, que controlam Sanaa, a transferência do controle de Hodeida (oeste) a um comitê supervisionado pela ONU para evitar novos combates.

O emissário da ONU não fez nenhuma declaração ao chegar ao país.

Desde quarta-feira, os combates entre os rebeldes e as forças governamentais, apoiadas por uma coalizão liderada pela Arábia Saudita, deixaram 139 mortos (118 rebeldes e 21 soldados iemenitas), segundo fontes médicas.

Neste sábado, o exército iemenita anunciou que assumiu o controle do aeroporto de Hodeida, ao norte da cidade, mas um correspondente da AFP não conseguiu confirmar a informação.

Na sexta-feira foram registrados combates a dois quilômetros do aeroporto.

Para impedir que as forças leais enviem reforços a Hodeida pela estrada ao sul da cidade, os rebeldes executaram um ataque contra via e mataram 12 soldados, de acordo com fontes militares e médicas.

Na quarta-feira, Griffiths pediu moderação às partes e um compromisso construtivo com os esforços da ONU "para evitar qualquer confronto militar em Hodeida".

"Não existe solução militar para o conflito", disse.

A Arábia Saudita, sunita e grande rival do Irã (xiita) na região, acusa os rebeldes iemenitas de receber ajuda militar iraniana através do porto Hodeida. O Irã reconhece que ajuda os huthis, mas nega fornecer armas.

Os rebeldes promente enfrentar o que chamam de "forças da tirania".

"Devemos enviar reforços para a batalha da costa", afirmou na quinta-feira Abdel Malek Al Huthi, líder dos insurgentes, antes de pedir que os rebeldes "transformem a costa oeste em um atoleiro para os invasores".

Várias ONGs expressaram preocupação com as consequências da batalha, a maior no Iêmen desde 2015, quando as forças pró-governo recuperaram várias pontos do sul do país, como Aden.

"A batalha de Hodeida poderia ter um impacto devastador sobre os civis, tanto na cidade como em outras partes do Iêmen", advertiu Sarah Leah Whitson, diretora para o Oriente Médio da Human Rights Watch (HRW).

A ONG Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC) indicou que os moradores de Hodeida estão confinados em suas casas. Quase 600.000 pessoas vivem na cidade e em suas imediações.

Hodeida, grande porto do Mar Vermelho, serve como ponto de entrada para 70% das importações no empobrecido país e para a chegada de ajuda internacional. A coalizão internacional, no entanto, afirma que os rebeldes utilizam o local para o contrabando de armas.

O diretor do porto, Daud Fadhel, afirmou na quinta-feira que pretendia manter o local aberto, apesar da ofensiva.

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