Talibãs acertam trégua com forças afegãs

Os talibãs anunciaram neste sábado um cessar-fogo com as forças afegãs por ocasião da festa do Eid al Fitr, que marca o fim do mês de jejum muçulmano do Ramadã, mas a trégua não incluirá as tropas estrangeiras no Afeganistão.

O grupo advertiu que seus combatentes se "defenderão com força" se forem atacados, destaca um comunicado enviado à imprensa, dois dias após o anúncio do governo afegão sobre um interrupção dos combates durante a festa religiosa.

"Todos os mujahedines foram orientados a deter as operações ofensivas contra as forças afegãs nos primeiros três dias do Eid al Fitr," diz uma mensagem dos talibãs no WhatsApp. "Mas se os mujahedines forem atacados, irão se defender com força".

A mensagem destaca "os ocupantes estrangeiros" não estão incluídos na trégua e que "nossas operações vão prosseguir contra eles...".

Esta é a primeira vez que o talibã concorda com um cessar-fogo para a festa do Eid al Fitr desde a invasão das forças americanas, em 2001.

Na quinta-feira, o presidente afegão, Ashraf Ghani, anunciou uma trégua temporária por ocasião das festividades do Eid al Fitr.

O cessar-fogo começará na segunda-feira, "27º dia do Ramadã, e continuará até o quinto dia do Eid al-Fitr", que cairá, provavelmente, em 15 de junho, uma sexta-feira, disse o líder afegão.

Ashraf Ghani explicou que sua decisão, inédita, é uma resposta "à fatwa histórica dos ulemás afegãos", que decretaram que o terrorismo é contrário ao Islã.

Reunidos em Cabul em uma Loya Jirga (grande assembleia, em língua pastun), milhares de dignitários religiosos de 34 províncias publicaram um decreto que declara que "os ataques suicidas e as explosões são contrários à lei e (são) um pecado grave".

"As guerras em curso no Afeganistão não têm qualquer fundamento. As únicas vítimas são os afegãos. Não têm qualquer valor religioso, ou humano", afirma o texto, acrescentando que "apoiá-las, ou financiá-las, é contrário à sharia", a lei islâmica.

Ghani propôs a paz aos talibãs no final de fevereiro, mas os insurgentes não responderam.