EUA confirmam suspensão de tarifas contra China

O secretário americano do Tesouro, Steven Mnuchin, confirmou neste domingo (20) que Washington e Pequim acordaram a suspensão de tarifas alfandegárias sobre produtos de ambos os países, um dia depois de acordarem reduzir o déficit comercial americano com a China.

"Fizemos um progresso significativo e acordamos um marco", disse Mnuchin ao canal Fox News.

"Assim, nesse momento, concordamos em suspender as tarifas enquanto tentamos implementar esse marco", acrescentou.

O vice-presidente chinês, Liu He, havia dito anteriormente que "as duas partes chegaram a um consenso de não se envolver em uma guerra comercial e aumentar os respectivos direitos de alfândega", segundo foi citado pela agência de notícias oficial Xinhua.

Steven Mnuchin assinalou, no entanto, que se a China não cumprir seus compromissos, o presidente dos Estados Unidos "sempre pode decidir voltar a impor" as tarifas.

Washington e Pequim anunciaram no sábado que chegaram a um consenso para reduzir drasticamente o déficit comercial americano. Para conseguir isso, o gigante asiático se comprometeu a aumentar "consideravelmente" suas compras de produtos americanos.

Este anúncio, feito após uma difícil negociação de alto nível em Pequim e depois em Washington esta semana, fecha um mês de tensões entre as duas potências, no qual o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou o fato da relação comercial desequilibrada constituir um perigo para o seu país.

"Também discutimos as questões estruturais muito importantes a serem levadas em consideração na sua economia para que nós possamos ter acesso a eles de forma equitativa", explicou Steven Mnuchin.

Questionado sobre a ausência de cifras enquanto o governo Trump exige uma redução do déficit de 200 bilhões de dólares, Steven Mnuchin assegurou que existem "objetivos precisos", mas que não os tornaria públicos.

Esses objetivos foram estabelecidos "indústria por indústria", indicou.

Desde março, as exportações chinesas de aço para os Estados Unidos eram taxadas em 25% e as de alumínio em 10%.

O gigante asiático também estava sob ameaça de impostos sobre 50 bilhões de dólares em bens. Um período de consulta inicialmente expiraria na terça-feira e era prevista a implementação imediata dessa medida.

Pequim havia retomado as represálias nos produtos agrícolas americanos como a soja, extremamente dependente do mercado chinês e que é produzida em estados favoráveis ao presidente republicano.

A carne de porco dos Estados Unidos e os automóveis fabricados no país também estavam na mira da tarifas chinesas, que anunciaram que reforçariam as inspeções desses produtos.