Washington tenta virar página de acordo nuclear com Irã

Depois de se retirar do acordo nuclear iraniano, Washington tenta virar a página propondo construir uma "coalizão" contra "todas as ameaças" apresentadas pelo Irã, mas corre o risco de enfrentar os europeus, determinados a salvar o texto de 2015.

O chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, apresentará na segunda-feira a "nova estratégia" dos Estados Unidos para o Irã. E o governo, que havia se mantido em silêncio desde o anúncio do presidente Donald Trump, em 8 de maio, está começando a soltar elementos de um "roteiro diplomático para uma nova arquitetura de segurança" e um "acordo melhor".

"Os Estados Unidos trabalharão duro para construir uma coalizão" contra "o regime iraniano" e suas "atividades desestabilizadoras", disse a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, na quinta-feira.

Trump considera que o acordo alcançado pelas grandes potências (Estados Unidos, Rússia, China, França, Alemanha e Grã-Bretanha) com o Irã é muito fraco em questões nucleares. Também acredita que não aborda o tema dos mísseis balísticos de Teerã e suas intervenções diretas ou indiretas em vários conflitos regionais, como Iêmen e Síria.

"Precisamos de um novo marco de trabalho que aborde todas as ameaças nucleares", disse o diretor político do Departamento de Estado, Brian Hook, a repórteres nesta sexta-feira.

Mas a estratégia ainda é difusa.

Principalmente, não se sabe se os europeus, que estão muito decepcionados com a retirada americana do acordo com o Irã, estão dispostos a retomar rapidamente as negociações com os Estados Unidos sobre o assunto.

Por enquanto, a União Europeia está trabalhando para convencer o Irã a permanecer no acordo de 2015.

- Uma tarefa complicada -

Também é uma tarefa complicada restaurar completamente as sanções americanas que foram suspensas após a assinatura do texto, pois forçaria as empresas europeias a escolher entre o mercado iraniano e o mercado americano.

No governo americano, alguns defendem um "cenário norte-coreano", no qual implementam sanções drásticas para fazer o Irã voltar à mesa de negociações.

"Ao restabelecer as sanções que foram suspensas" anteriormente, disse Hook, "exerceremos uma pressão econômica sobre o Irã. Foi essa pressão econômica que levou os iranianos à mesa há alguns anos".

Mas para Jake Sullivan, pesquisador do Carnegie Endowment for International Peace, "a ideia de que seremos capazes de reconstruir o mesmo nível de sanções é um conceito falso".

Quanto mais agressivo for o pedido dos Estados Unidos para a Europa sobre as sanções, "mais os europeus buscarão maneiras de se defender", considerou Sullivan nesta sexta-feira em uma conferência em Washington.

Enquanto isso, o governo dos Estados Unidos procura minimizar as diferenças com seus aliados. "Temos muitos pontos em comum com os europeus", assegurou Hook.

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