Opositores venezuelanos presos põem fim a tomada de prisão

Um grupo de opositores presos pôs fim a um protesto na sede do Serviço de Inteligência (Sebin) em Caracas, ao qual havia se somado um americano acusado de espionagem, informou um dos reclusos nesta sexta-feira (18).

"Queremos informar ao país que a esta hora as instalações já estão sob controle dos funcionários do Sebin", disse o opositor Villca Fernández em um áudio enviado à imprensa pela Internet das celas do edifício policial.

Fernández revelou que a situação se normalizou na noite de quinta-feira, após negociações com a Procuradoria e a Defensoria Pública, que permitiram a transferência de dezenas de presos comuns de El Helicoide - sede do Sebin - para outras prisões.

Ao menos 20 familiares permaneciam nesta sexta-feira nos arredores do complexo, entre eles Ramona Rangel, mãe de Juan Pedro Lares, nacionalizado colombiano. "Meu filho não tem nenhum processo, está sequestrado", declarou à AFP.

"Estamos esperando que a ministra (colombiana das Relaciones Exteriores, María Ángela) Holguín se pronuncie para conseguir a liberdade do meu filho", destacou Rangel, após conversar com o cônsul da Colômbia em Caracas, Juan Carlos Pérez, que foi a El Helicoide para saber sobre 12 "presos políticos" colombianos.

"Vim pelos cidadãos colombianos que estão detidos", mas "não me deixaram entrar", respondeu Pérez de forma esquiva a jornalistas pouco antes de sair em um veículo oficial.

Lares, de 23 anos, foi detido em 30 de julho de 2017 e está preso sem acusação, segundo sua família. É filho de um ex-prefeito opositor de Mérida (oeste).

- 'Brincaram com o perigo' -

Na quinta-feira, o procurador-geral, Tarek William Saab, reportou a transferência de 71 presos comuns depois de conversas com os opositores, que se negavam a entrar em suas celas desde quarta-feira passada.

No Sebin estavam presas 256 pessoas, das quais 54 por "razões políticas", segundo a ONG Fórum Penal, que cifra em 338 os "presos políticos" na Venezuela.

Também está detido lá o mórmon americano Joshua Holt, acusado de espionagem e de planejar ações contra o governo de Nicolás Maduro.

O encarregado de negócios de Washington em Caracas, Todd Robinson, exigiu nesta sexta-feira que o governo o permita visitar seus cidadãos detidos na Venezuela.

"Se o governo da Venezuela não responder nossas solicitações, não poderemos cumprir nossa responsabilidade" de proteger os americanos, acrescentou em uma declaração à imprensa.

A ministra de Serviços Penitenciários, Iris Varela, questionou o interesse de Washington por Holt e não por seus outros cinco cidadãos detidos na Venezuela. Holt é um "agente de Estado" e "mercenário", afirmou a ministra

Robinson confirmou que também há um americano em uma prisão do oeste da Venezuela, onde na quinta-feira um motim deixou 11 mortos e 28 feridos. "Estamos acompanhando de perto os acontecimentos", afirmou.

Alfredo Romero, diretor do Fórum Penal, confirmou a libertação de três dos quatro menores de idade que permaneciam no Sebin apesar de ter ordem de prisão.

O procurador-geral disse que o protesto começou depois que um preso comum espancou Gregory Sanabria, um dos opositores presos, que logo tomaram um "pequeno corredor" na entrada de El Helicoide.

Ainda não foi esclarecido como os detentos assumiram o controle daquele espaço, já que não estavam armados, nem como conseguiram enviar vídeos e fotos do que aconteceu.

"Saímos bem de uma situação que poderia ter sido muito perigosa, porque brincaram com o que poderia ser um caso violento", afirmou Saab na televisão estatal, indicando que o objetivo era manchar as eleições de domingo, nas quais Maduro busca a reeleição.