UE e Japão dispostos a adotar represálias comerciais contra EUA

O Japão e a União Europeia informaram nesta sexta-feira (18) à Organização Mundial do Comércio (OMC) que estão dispostos a adotar medidas de retaliação contra os Estados Unidos, se Washington decidir impor tarifas sobre as importações de aço e de alumínio.

Tóquio afirmou que tem o direito de impor tarifas sobre produtos americanos por um valor de 50 bilhões de ienes (cerca de 340 milhões de dólares), montante equivalente ao impacto do imposto aprovado pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos japoneses, segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores.

O Ministério não forneceu, no entanto, detalhes concretos sobre o tipo de produto afetado, ou a data de entrada em vigor dessas medidas retaliatórias.

Poucos minutos depois, foi a vez de Bruxelas decidir replicar.

"A UE notificou à OMC uma lista de produtos americanos sobre os quais poderia aplicar futuramente direitos de importação adicionais", se a isenção da qual se beneficia até 1º de junho não for mantida, indicou a Comissão Europeia em um comunicado.

Em 8 de março, o presidente americano, Donald Trump, promulgou uma tarifa de 25% sobre as importações de aço e 10% sobre as importações de alumínio, isentando temporariamente alguns de seus parceiros como Canadá, México, Brasil, Argentina, Austrália e União Europeia.

Apesar de ser um aliado dos Estados Unidos e dos esforços do primeiro-ministro Shinzo Abe, o Japão não obteve isenção.

- Proposta europeia -

Bruxelas, como Tóquio, procura "compensar de forma equivalente o impacto das medidas tarifárias americanas" de um montante de 2,8 bilhões de euros (cerca de 3,3 bilhões de dólares).

Em 2017, a UE exportou para os Estados Unidos 5,3 bilhões de euros em aço e 1,1 bilhão alumínio.

Essa medida de represália poderia ser implementada com total legalidade, se decidida pelo bloco europeu "a partir de 20 de junho de 2018". Entre os produtos considerados, estão o tabaco, o uísque, o jeans, as motos, produtos de beleza e produtos têxteis, bem como toda uma série de produtos siderúrgicos.

A UE espera, no entanto, que a medida de isenção seja mantida. Os líderes dos 28 países da UE acabam de definir uma oferta comercial para convencer os Estados Unidos antes de 1º de junho.

O bloco estaria disposto a negociar uma redução das barreiras tarifárias na indústria, aproximar as regulamentações, aprofundar as relações energéticas e trabalhar na reforma da OMC.

A UE está disposta a "falar sobre a liberalização do comércio" com os Estados Unidos, "mas somente se eles decidirem uma isenção ilimitada das tarifas sobre aço e alumínio", resumiu o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

- 'Made in USA' -

Já Tóquio endureceu o tom após o fracasso do diálogo com Washington, cujas tarifas "podem ter um sério impacto nas relações econômicas" dos dois países.

Por essa mesma decisão dos Estados Unidos, Rússia e China foram à OMC em abril.

Pequim, que também é ameaçada com outras tributações no valor de 50 bilhões de dólares, ameaçou represálias por um valor equivalente.

China e Estados Unidos estão atualmente negociando para encontrar uma solução para o impasse.

Donald Trump critica regularmente as práticas comerciais do Japão, que considera desleais, e lamenta os "milhões e milhões de carros japoneses" que invadem o mercado americano, quando muito poucos veículos "made in USA" são vendidos no Japão.

Esta delicada questão comercial será abordada em negociações bilaterais em meados de junho entre o representante comercial americano, Robert Lighthizer, e o ministro japonês da Economia, Toshimitsu Motegi.

Muito dependente das exportações, o Japão teme ser forçado a grandes concessões que colocariam sua indústria em risco.

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