Putin e Merkel defendem seu projeto de gasoduto ante ameaças dos EUA

O presidente russo, Vladimir Putin, e a chanceler alemã, Angela Merkel, defenderam nesta sexta-feira (18) seu projeto de gasoduto submarino Nord Stream 2, ameaçado por sanções americanas, após um encontro realizado na Rússia no qual também abordaram o acordo nuclear com o Irã.

Em seu encontro, celebrado em Sochi, às margens do mar Negro, os dois líderes também falaram do conflito na Síria e da crise ucraniana, dois temas que distanciaram a Rússia e a Alemanha nos últimos anos.

Vários países europeus, entre eles a Polônia, se opõem ao projeto Nord Stream 2, que deve resultar em uma redução do trânsito de gás pela Ucrânia, denunciando seu alcance político.

Nesta sexta, Putin prometeu, no entanto, que o gás russo continuará circulando pela Ucrânia, sob a condição de que seja rentável, após o lançamento do novo gasoduto que unirá diretamente Rússia e Alemanha pelo mar Báltico.

O Congresso americano votou em agosto sanções contra a Rússia, que permitem a Washington sancionar empresas, inclusive as europeias, envolvidas em projetos de gasodutos com a Rússia.

"Consideramos que este projeto (Nord Stream 2) é rentável para nós e lutaremos que seja implementado", disse Putin, que vinculou as ameaças americanas à vontade do presidente Donald Trump de "defender os interesses do seu negócio", ao obrigar a Europa a se abastecer com o gás do seu país no lugar do gás russo, que atende atualmente a grande parte das necessidades europeias.

Merkel pediu, por sua vez, "garantias" de que a Ucrânia não será excluída do trânsito de gás, após o lançamento do novo gasoduto, que visa a duplicar até o final de 2019 a capacidade de seu antecessor, o Nord Stream 1.

- Acordo nuclear iraniano -

Os dois dirigentes também falaram do acordo nuclear iraniano, que os russos, chineses e europeus tentam salvar, depois que Trump decidiu retirar seu país do pacto e restabelecer em breve as sanções contra Teerã.

"Alemanha, Reino Unido, França e todos os nossos colegas da União Europeia apoiam este acordo e continuaremos respeitando-o", disse Merkel. "Este acordo não é perfeito, mas é melhor do que uma ausência de acordo (...) Este acordo garante um maior controle, uma maior segurança. E o Irã cumpre com suas obrigações", acrescentou.

No âmbito do acordo assinado em 2015, o Irã aceitou limitar sua capacidade nuclear e se comprometeu a não tentar obter a arma atômica, em troca da suspensão de parte das sanções internacionais.

Os europeus tentam evitar que Teerã abandone o acordo e retome seu programa para conseguir a arma atômica. E para proteger seus investimentos no Irã, lançaram um procedimento oficial para contrabalançar os efeitos extraterritoriais das possíveis sanções americanas a empresas europeias que quiserem investir na República Islâmica.

"Não devemos nos enganar", alertou a chanceler alemã, que considera que este mecanismo será insuficiente para convencer as empresas a investirem no Irã.

- Síria e Ucrânia -

O programa nuclear iraniano é uma das poucas questões em que os europeus e Moscou estão de acordo, após a deterioração de suas relações nos últimos anos devido ao conflito sírio, à anexação da Crimeia pela Rússia e à guerra no leste da Ucrânia.

Estas tensões se agravaram recentemente após o envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal na Inglaterra, que provocou uma histórica onda de expulsões de diplomatas.

Putin desejou nesta sexta-feira "boa saúde" a Skripal, após sua saída do hospital britânico onde estava internado há meses, mas continuou desmentindo qualquer implicação da Rússia em seu envenenamento.

O presidente russo e a chanceler alemã defenderam reativar o processo político na Síria, onde a Rússia ocupa um papel-chave desde a sua intervenção em apoio ao regime de Bashar al-Assad, em 2015.

Antes de encontrar Merkel, Putin recebeu na quinta-feira Assad, com quem abordou o futuro do país em guerra e a necessidade de se encontrar uma solução política para o conflito e preparar a reconstrução e o retorno dos refugiados.

Os dois dirigentes também abordaram a situação na Ucrânia, onde o conflito que opõe há quatro anos o governo pró-ocidental e os rebeldes pró-russos experimentou uma retomada nos últimos dias.