EUA e China negociam acordo em meio a sinais contraditórios de Trump

Estados Unidos e China retomam nesta sexta-feira (18) as delicadas negociações comerciais, em um ambiente tenso pelas mensagens contraditórias de Donald Trump, e a menos de uma semana da entrada em vigor de possíveis sanções americanas aos produtos chineses.

O principal assessor econômico do presidente Donald Trump, Larry Kudlow, informou nesta sexta que as negociações estão "indo bem", mas um acordo continua indefinido. "Sem acordo ainda, com certeza, e vai demorar um pouco", disse.

"Estão atendendo muitas de nossas demandas. Acredito que querem um acordo".

O presidente Donald Trump ameaçou impor tarifas sobre as importações chinesas totalizando 150 bilhões de dólares por considerar que este país incorre em práticas desleais e ignora direitos de propriedade intelectual.

Pequim ameaça responder às tarifas com medidas contra as exportações agrícolas americanas.

Na quinta-feira, "as autoridades americanas compartilharam (com as chinesas) o objetivo claro do presidente de uma relação comercial justa com a China", informou a Casa Branca em um comunicado.

Nesse dia, Trump recebeu o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, na Presidência. "Começam as negociações", informou no Twitter.

Pouco antes da reunião, o presidente jogou um balde de água fria na possibilidade de um rápido acordo com a China. "Tendo a duvidar disso", afirmou Trump a jornalistas que perguntaram sobre sobre a possibilidade de acordo.

"A China ficou muito mal-acostumada... Porque sempre obteve 100% do que pediu aos Estados Unidos", acrescentou.

O encontro com Liu He, colaborador próximo ao presidente chinês Xi Jinping, não estava inicialmente na agenda de Trump. "Isso significa que há um grande interesse em continuar as negociações e tentar encontrar soluções convergentes com as práticas comerciais desleais e ilegais", disse o conselheiro econômico presidencial Larry Kudlow. "É o que queremos".

- "Falsos rumores" -

Segundo o jornal The New York Times, Pequim estaria disposto a fazer importantes concessões, mas não se sabe nada sobre as conversas entre o presidente e Liu He, nem com seu secretário do Tesouro, Steven Mnuchin.

Washington exige da China uma redução em 200 bilhões de dólares de um déficit comercial que em 2017 chegou a 375 bilhões.

A agência de notícias financeira Bloomberg, citando um membro da equipe de Trump, informou que Pequim ofereceu nesta semana uma redução de 200 bilhões de dólares em seu excedente com Estados Unidos.

O ministério de Relações Exteriores da China negou nesta sexta-feira o que chamou de "falsos rumores" através do porta-voz Lu Kang, que disse que o diálogo com os Estados Unidos foi "construtivo".

Trump, que reiteradamente tem denunciado as práticas comerciais "desleais" do gigante asiático, disse na quinta-feira que "o comércio foi uma via de mão única" com Pequim.

"E já expliquei ao presidente (da China) Xi (Jinping) que não podemos fazer mais isso", ressaltou.

Washington ameaçou com a imposição de tarifas sobre os produtos chineses por 150 bilhões de dólares por considerar que Pequim recorre a práticas comerciais desleais e viola os direitos de propriedade intelectual.

Com tarifas de 25% sobre as exportações de aço para os Estados Unidos e de 10% nas de alumínio, a China também ameaça taxar a importação de bens americanos em 50 bilhões de dólares.

- Porco e soja -

O prazo de consulta sobre a lista de produtos chineses que seriam afetados por essas novas tarifas alfandegárias vence em 22 de maio. Se antes dessa data os dois países não chegarem a um acordo sobre um reequilíbrio da balança comercial, as ameaças do governo de Trump se concretizarão.

A China já anunciou que nesse caso aplicará medidas de represália equivalentes concentradas em produtos agrícolas, especialmente a soja, uma produção muito dependente do mercado asiático e que se concentra nos estados que apoiam o presidente republicano.

A carne de porco produzida nos Estados Unidos, assim como os automóveis fabricados no país estão no alvo das autoridades chinesas de alfândega, que anunciaram que reforçarão as inspeções sobre esses produtos.

A China anunciou na sexta-feira que suspenderá as medidas previstas contra as importações de sorgo americano para evitar um aumento dos custos de produção, especialmente para a indústria suína.

Pequim havia anunciado em abril que taxaria em até 178,6% as importações de sorgo proveniente dos Estados Unidos, em resposta às suspeitas de 'dumping' (venta abaixo do custo de produção) e de subsídios nos Estados Unidos.

Um gesto de boa vontade potencial para os Estados Unidos, embora o porta-voz da diplomacia chinesa tenha pedido que não tirasse conclusões apressadas.

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