Itália recorda 40 anos da morte do ex-premier Aldo Moro

Político foi assassinado por membros das Brigadas Vermelhas

Quarenta anos após o grupo de extrema-esquerda Brigadas Vermelhas assassinar o ex-primeiro-ministro Aldo Moro, políticos e instituições prestam nesta quarta-feira (9) uma homenagem à memória de uma das figuras mais emblemáticas da política da Itália Durante cerimonial na via Caetani, no centro de Roma, onde o corpo de Moro foi encontrado dentro do porta-malas de um Renault no 9 de maio de 1978, o presidente italiano, Sergio Mattarella, depositou uma coroa de flores na placa comemorativa do ex-premier.

    O evento também contou com a presença dos presidentes da Câmara e do Senado, Roberto Fico e Maria Elisabetta Alberti Casellati, respectivamente, e o atual primeiro-ministro, Paolo Gentiloni. Além deles, o presidente da região do Lazio, Nicola Zingaretti, a prefeita de Roma, Virginia Raggi, e a prefeita Paola Basilone também compareceram na homenagem. "Há 40 anos, a Brigada Vermelha deixava o cadáver de Aldo Moro na via Caetani. A Itália presta homenagem à memória de um verdadeiro estadista. Sua visão política e cultural marcou o nosso século. Sua morte pesa na consciência da República", escreveu Gentiloni no Twitter. Há exatamente 40 anos, durante 55 dias, entre 16 de março e 9 de maio de 1978,, a Itália acompanhou com angústia a provação de Moro, sequestrado e morto pelo grupo de extrema-esquerda Brigadas Vermelhas.

    O líder da democracia cristã, cinco vezes primeiro-ministro, duas vezes ministro das Relações Exteriores, foi sequestrado, em 16 de março, enquanto estava a caminho da Câmara dos Deputados.

    Sua morte é alvo de várias teorias, especialmente, pelo fato do governo daquela época ter se negado a negociar com os sequestradores para libertação de Moro.

    O veterano político de 62 anos era a mais alta autoridade a cair nas mãos da organização terrorista. Em troca de Moro, o grupo exigia a libertação de 13 líderes das Brigadas detidos nas prisões italianas.

    No dia do sequestro, o carro Fiat 132 bloqueou o carro do político e de sua segurança. Os terroristas das Brigadas Vermelhas mataram os cinco homens que faziam a escolta de Aldo - Oreste Leonardi, Domenico Ricci, Giulio Rivera, Francesco Zizzi e Raffaele Iozzino - e o levaram. Somente no dia 9 de maio, o corpo do político foi encontrado com 10 marcas de tiros em um Renault vermelho na via Caetani, em Roma, próximo à sede do partido Democracia Cristã.

    O crime sacudiu a opinião pública italiana e abriu uma fase de crise institucional no governo do país da bota. A morte de Aldo ocorreu no momento em que ele, de orientação de centro-esquerda, havia proposto uma aproximação ao Partido Comunista Italiano.

    Na época, diversas personalidades internacionais tentaram interceder fazendo apelos pela libertação de Aldo, como o papa Paulo VI, e o presidente da Líbia e aliado do grupo, Muamar Kadafi.

    No entanto, os membros das Brigadas Vermelhas consideravam uma traição o tal acordo de Moro. A polícia italiana ainda conseguiu prender alguns integrantes do grupo e os condenar à pena de morte, mas a maioria dos anos de reclusão foram perdoados em decorrência de uma lei aprovada em 1982. Outros conseguiram fugir para o exterior.