Últimos esforços europeus para manter EUA em acordo nuclear iraniano

Grã Bretanha, Alemanha e França defenderam nesta segunda-feira (7) os méritos do acordo nuclear com o Irã, em uma última tentativa de convencer o presidente americano, Donald Trump, de não abandonar o texto.

Em declarações ao canal Fox News antes de seu encontro com altos funcionários do governo americano, o ministro britânico das Relações Exteriores, Boris Johnson, disse que Trump tem "razão em ver defeitos" no acordo, mas acrescentou: "O plano B não me parece particularmente bem desenvolvido neste cenário".

Em paralelo, em Berlim, os ministros das Relações Exteriores francês e alemão, Jean-Yves Le Drian e Heiko Maas, respectivamente, defenderam o acordo, que consideram como a melhor maneira de "evitar que o Irã obtenha a arma nuclear", e afirmaram que vão continuar aplicando suas condições mesmo que os Estados Unidos se retirem.

O acordo nuclear iraniano foi firmado em julho de 2015 entre Teerã, por um lado, e China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia e Alemanha, por outro.

Nesse texto, a República Islâmica declara que não busca se dotar de armas atômicas e aceita restringir seu programa nuclear para dar ao mundo a garantia de que suas atividades no setor não têm ambições militares.

Em troca, Teerã obteve o fim progressivo das sanções internacionais impostas por seu programa.

O acordo prevê um maior controle das instalações nucleares iranianas, "aumentando a possibilidade de detecção de qualquer tentativa de fabricar uma arma atômica", argumentou o ministro britânico.

- Restrições ao Irã -

"Agora que essas amarras estão colocadas, não considero necessário colocá-las de lado. Apenas o Irã se beneficiaria, renunciando a essas restrições sobre seu programa nuclear", considerou.

"Estamos determinados a salvar este acordo porque nos resguarda da proliferação nuclear e é a maneira de correta de evitar que o Irã tenha acesso a armas nucleares", insistiram Le Drian e Maas.

O ministro alemão estimou que o acordo "torna o mundo mais seguro e sem ele o mundo será menos seguro".

"Tememos que um fracasso leve a uma escalada" de violência no Oriente Médio, acrescentou o ministro alemão.

A dupla assegurou que deseja, a todo custo, manter a estrutura existente negociada com Teerã.

"Este acordo é, para nós, respeitado. Por isso, pretendemos mantê-lo, seja qual for a decisão americana", disse Le Drian.

Resta saber o que o Irã fará diante dessa eventualidade.

Os ultraconservadores do país mantêm uma linha muito dura. Na quinta-feira, o aiatolá Ali Khamenei, o guia supremo iraniano, disse que o Irã deixaria o acordo, se Washington cumprisse sua ameaça.

Hoje, o presidente Hassan Rohani declarou que o Irã poderia continuar aplicando as prerrogativas do texto, apesar da saída dos Estados Unidos.

- Advertência do Irã -

No domingo, porém, o presidente iraniano advertiu que o governo dos Estados Unidos lamentará "como nunca" um eventual abandono do acordo internacional sobre o programa nuclear de Teerã.

"Se os Estados Unidos deixarem o acordo nuclear, vocês logo verão que eles vão se arrepender como nunca antes na história", declarou Rohani, em um discurso transmitido pela televisão pública.

"Trump deve saber que nosso povo está unido. O regime sionista (Israel) deve saber que nosso povo está unido", completou Rohani.

Com o texto, o Irã declara solenemente que não busca produzir a bomba atômica e concorda em frear seu programa nuclear para fornecer ao mundo garantias de que suas atividades não são militares.

Trump deve anunciar até 12 de maio se Washington vai abandonar o acordo.

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