Famílias que entrarem ilegalmente nos EUA serão separadas, diz procurador-geral

"Não queremos separar famílias, mas não queremos que famílias venham à fronteira ilegalmente": o procurador-geral dos Estados Unidos, Jeff Sessions, reiterou a política migratória de "tolerância zero" do governo de Donald Trump.

"Se você cruzar a fronteira ilegalmente vamos processá-lo, é simples assim", disse o procurador ao lado do chefe da polícia migratória ICE, Thomas Homan, em San Diego.

Uma centena de centro-americanos atravessaram o México até os Estados Unidos com o objetivo de pedir asilo. A mobilização foi muito criticada por Trump, que chegou ao poder com a promessa de deportar milhões de imigrantes ilegais e construir um muro gigantesco na fronteira sul.

E a separação de famílias é uma das principais preocupações destes migrantes.

"Se você contrabandear estrangeiros ilegais por nossa fronteira, vamos processá-lo; se contrabandear uma criança, vamos processá-lo. E a criança será separada de você, conforme exigido pela lei", disse o procurador-geral - equivalente a um ministro da Justiça -, que foi um dos principais promotores de leis migratórias mais duras.

"Os americanos têm razão, e é justo e decente que peçam isto, que queiram fronteiras mais seguras e um governo que saiba quem está aqui e quem não", indicou. "Donald Trump se lançou à presidência com esse ideal, acreditamos que é um dos grandes motivos pelos quais ganhou".

Sessions assegurou que aumentará o número de procuradores e juízes de migração para processar os casos de asilo.

Os Estados Unidos "não podem acolher todo mundo da Terra que esteja em uma situação difícil", indicou.

"Queremos que todo mundo saiba que esta fronteira não está aberta. Não venha ilegalmente. Faça seu pedido, espere sua vez", disse Sessions, cujo discurso foi brevemente interrompido por um manifestante.

"O que você faz é diabólico!", gritou o homem, antes de ser abordado pela segurança.

O governo alertou para um aumento no número de detenções de imigrantes ilegais na fronteira: 90.033 entre janeiro e março de 2018 contra 62.525 no mesmo período de 2017.

Segundo o jornal The New York Times, ao menos 700 crianças foram separadas de seus pais em postos de fronteira desde outubro de 2017, incluindo 100 com menos de quatro anos.

O governo alega que a lei permite separar adultos de crianças quando não é possível confirmar a relação de parentesco ou se o menor está sob risco.

"É uma violação dos direitos humanos separar as famílias", disse à AFP Enrique Morones, fundador da ONG Border Angels. "Sem dúvida o presidente é um racista que está causando terror".