Líder populista na Itália abre mão de ser primeiro-ministro

Luigi Di Maio disse que aceitaria governo guiado por outro

Luigi Di Maio, líder do antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), partido mais votado nas eleições de 4 de março, afirmou neste domingo (6) que aceitaria apoiar outro nome para o cargo de primeiro-ministro.

A declaração, dada à emissora "Rai", representa uma mudança significativa na postura de Di Maio, que chegara a afirmar que um governo que não fosse liderado por ele afetaria a "credibilidade da democracia".

"Se o ponto é realizar coisas para os italianos, fazer um programa, e o obstáculo é Luigi Di Maio premier, então escolhamos juntos um presidente do Conselho [dos Ministros] que não seja eu", afirmou o líder antissistema, dono de 35% dos assentos na Câmara e de 34% no Senado.

As frases de Di Maio são um aceno à ultranacionalista Liga, que têm 20% e 18%, respectivamente, e poderia garantir ao M5S maioria suficiente - ainda que estreita - para governar.

"Confirmo que, juntos com Salvini [secretário da Liga], podemos escolher um presidente do Conselho que não seja eu e que não seja Salvini. Escolhamos uma pessoa política, da Liga ou do M5S, é o último dos problemas", acrescentou.

As condições de Di Maio são que o primeiro-ministro se comprometa com a revogação da reforma previdenciária italiana - pleito antigo de Matteo Salvini - e com a aprovação da renda de cidadania e de uma lei anticorrupção.

No entanto, o líder do M5S manteve o veto a Silvio Berlusconi, presidente do partido moderado Força Itália (FI) e aliado da Liga na coalizão de direita, vencedora das eleições de 4 de março e dona de 42% do Parlamento. "Eu dou um passo atrás, Salvini dá um passo atrás, mas outra pessoa também precisa dar um passo atrás", disse Di Maio, referindo-se ao ex-primeiro-ministro.

Berlusconi tem sido o principal entrave nas negociações entre M5S e Liga, já que o partido antissistema se recusa a governar a seu lado, enquanto Salvini não quer romper com o ex-premier para não perder força nas tratativas ou o apoio do FI nas regiões do norte comandadas pelos ultranacionalistas.

Os partidos da Itália terão uma nova rodada de consultas com o presidente Sergio Mattarella nesta segunda-feira (7), em mais uma tentativa do chefe de Estado de evitar a convocação de eleições antecipadas.