China: 'importantes divergências' persistem nas negociações com EUA

Estados Unidos e China ainda têm "importantes divergências" no segundo dia das negociações comerciais que acontecem em Pequim entre as delegações de ambos os países - informou a agência oficial de notícias chinesa Xinhua, nesta sexta-feira (4).

"Ambas as partes reconheceram que subsistem importantes divergências sobre alguns problemas e se teria que continuar intensificando o trabalho" de negociação, acrescenta a Xinhua.

Uma delegação liderada pelo secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, está em Pequim desde quinta-feira para tentar evitar uma guerra comercial entre as duas potências econômicas.

Essas negociações são chave, a menos de três semanas da entrada em vigor das tarifas americanas sobre produtos chineses importados de até US$ 50 bilhões.

A delegação de Mnuchin e o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, maior autoridade chinesa presente e muito próximo do presidente Xi Jinping, "tiveram discussões francas, eficazes e construtivas", indicou a agência estatal.

"Ambas as partes trocaram pontos de vista sobre o aumento das exportações americanas para a China, as trocas de serviços, os investimentos bilaterais, a proteção da propriedade intelectual, as barreiras tarifárias e não tarifárias e chegaram a um consenso sobre alguns temas", informou a agência Xinhua.

Os dois países concordaram em continuar "em estreita comunicação" e puseram em marcha um "mecanismo de trabalho", segundo a agência.

Já os Estados Unidos entregaram uma "lista detalhada de demandas", declarou, de Washington, Mark Calabria, conselheiro econômico do vice-presidente Mike Pence, segundo declarações divulgadas pela agência financeira Bloomberg.

Washington quer que as tarifas chinesas sejam do mesmo nível daquelas impostas pelos Estados Unidos, disse Calabria.

Os EUA pedem uma redução em 100 bilhões de dólares do déficit nas relações comerciais com a China, que, em 2017, representaram 375 bilhões de dólares. Espera ainda uma maior abertura do mercado chinês a seus produtos.

Washington também quer reforçar a proteção de sua propriedade intelectual e critica as transferências de tecnologia "forçadas" que a China impõe às companhias estrangeiras que trabalham no país.

Se as negociações fracassarem, o gigante asiático poderá responder com tarifas da ordem de até 50 bilhões de dólares sobre produtos americanos, como soja, carros, carne, ou uísque.

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