Após dissolução do ETA, é hora da 'reconciliação', diz mediador

A dissolução da organização separatista basca ETA deve levar à "reconciliação" - considerou nesta sexta-feira (4) um membro do Grupo Internacional de Contato pela Paz no País Basco, em um ato realizado na localidade francesa de Cambo-les-Bains.

"Hoje é um dia de celebração", declarou o advogado sul-africano Brian Currin, ao inaugurar o encontro internacional "para avançar na resolução do conflito no País Basco", um dia depois de o ETA anunciar o desmantelamento de todas as suas estruturas, após décadas de atentados que deixaram mais de 800 mortos.

"Mas não acabou", acrescentou.

A autodissolução do ETA também é "um compromisso para participar do processo democrático" na Espanha, o que implica "a necessidade de reconciliação", explicou.

O ex-dirigente do partido republicano norte-irlandês Sinn Fein Gerry Adams, outro mediador junto com o mexicano Cuauhtémoc Cárdenas e com o uruguaio Alberto Spectorovsky, advertiu que "a ira não é uma política, a vingança não é uma solução".

"Construir a paz é muito mais difícil do que fazer a guerra" e o "ponto de partida tem que ser o diálogo", acrescentou, lembrando o processo seguido pelo Sinn Fein no Ulster.

Após quatro décadas de atentados, sequestros e extorsões, o ETA proclamou na quinta-feira (3) o "final de sua trajetória" em uma declaração lida pelo veterano dirigente Josu Ternera, foragido desde 2002 e suspeito de cometer um atentado que deixou 11 mortos em 1987.

As associações de vítimas do ETA, que não estiveram presentes no ato no País Basco francês, expressaram sua insatisfação com a forma como a dissolução foi feita. Já o presidente do governo, Mariano Rajoy, prestou uma homenagem a todas as vítimas do ETA e garantiu à organização separatista que, apesar de sua dissolvição, não haverá impunidade para seus crimes.

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