Opositor armênio diz ter apoio para ser premiê e pede fim de protestos

O opositor armênio Nikol Pashinian pediu nesta quarta-feira (2) aos seus simpatizantes que suspendam os protestos, após assegurar que tem apoio suficiente no Parlamento para ser empossado primeiro-ministro em uma nova votação, em 8 de maio.

"Atualmente, todos os grupos (parlamentares) disseram que apoiarão a minha candidatura. A questão foi resolvida", assegurou Pashinian diante de dezenas de milhares de seguidores reunidos na Praça da República, no centro de Erevan.

"Vamos interromper nossas ações e descansar", acrescentou.

"Em 8 de maio, seremos 500.000 pessoas aqui e proclamaremos nossa vitória", prometeu o opositor, que pediu aos estudantes para voltar às aulas.

Pashinian, de 42 anos, líder de um movimento que desde 13 de abril vem sacudindo o cenário político armênio, convocou uma greve geral para a terça-feira, depois que sua tentativa de posse fracassou no Parlamento.

Seu chamado à "desobediência civil" foi seguido por dezenas de milhares de pessoas na capital.

Quase todas as ruas da cidade foram interditadas, inclusive a rodovia que leva ao aeroporto, e muitos estabelecimentos comerciais permaneceram fechados, constataram jornalistas da AFP. Os serviços de trens suburbanos foram muito afetados.

A Armênia está mergulhada há três semanas em uma crise política sem precedentes.

O movimento de protesto provocou em 23 de abril a demissão de Serzh Sarkisian, que tinha sido eleito primeiro-ministro seis dias antes pelos deputados, após ter sido chefe de Estado por dez anos.

O Parlamento anunciou nesta quarta que organizará nova votação em 8 de maio, uma semana depois da primeira. Se fracassar novamente em eleger o chefe de Governo, deverá se dissolver e convocar eleições legislativas antecipadas.

- Nova votação na terça-feira -

O Parlamento havia rejeitado na terça-feira a candidatura de Pashinian, apesar de ser o único candidato.

"Senhor Pashinian, não o vejo no cargo de primeiro-ministro", afirmou Eduard Sharmazanov, porta-voz do Partido Republicano e vice-presidente do Legislativo.

Antes da votação de terça, vários deputados do partido no poder denunciaram a falta de coerência do programa político do opositor.

"Não se pode ser um pouco socialista e um pouco liberal", criticou Sharmazanov.

- Transformado em herói -

Enquanto era anunciada sua candidatura ao cargo de primeiro-ministro, Pashinian multiplicou as manifestações, reunindo quase diariamente seus partidários na praça da República.

Muitos armênios têm em mente a morte de dez manifestantes em 2008, em confrontos entre seus partidários e a Polícia, quando Serzh Sarkisian acabara de conquistar seu primeiro mandato presidencial.

Pashinian passou, então, para a clandestinidade durante vários meses, antes de se entregar. Foi preso, mas em 2011 foi libertado, graças a uma anistia.

Seu papel de líder nas últimas semanas se protestos o transformou em "herói" aos olhos de muitos armênios, afirma o especialista independente Ervand Bozoyan.

"Desde os anos 1990, o povo esperava mais mudanças no país. Agora veem que é possível. As pessoas estão surpresas", afirma.

Os partidários de Pashinian condenam Serzh Sarkisian, presidente da Armênia de 2008 a 2018, e seu Partido Republicano por não ter feito retroceder a pobreza e a corrupção, e ter deixado os oligarcas no controle da economia desta ex-república soviética do Cáucaso com 2,9 milhões de habitantes.

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