Facebook à la Tinder

CALIFÓRNIA - Em discurso realizado na conferência anual de desenvolvedores do Facebook, não foram as falas sobre privacidade do diretor da empresa, Mark Zuckerberg, que mais chamaram a atenção, como seria de se esperar após os recentes escândalos de roubo de informações pessoais. Mas sim o anúncio de que a rede social irá lançar em breve um aplicativo de paquera similar ao Tinder, o Dating on Facebook. Zuckerberg ressaltou que o serviço levará em considerações questões de privacidade. O empresário disse ainda que 2018 vem sendo “um ano intenso”. 

A conferência, batizada de F8, foi realizada em San Jose, na Califórnia. Além do novo aplicativo de encontros amorosos, outras surpresas serão lançadas em breve pelo Facebook. “Existem cerca de 200 milhões de pessoas que se marcam como solteiros”, afirmou Zuckerberg. “E se nós temos o compromisso de construir relações significativas, talvez essa seja a mais significativa de todas”, completou. 

O empresário explicou que o aplicativo será destinado a relações duradouras, e não apenas encontros de uma noite. Após o anúncio, muitos internautas disseram que o serviço significaria a morte do Tinder, aplicativo que promove encontros entre os usuários e utiliza informações do Facebook. 

As ações da companhia Match Group, dona do Tinder, chegaram a cair 23%. Em relação ao roubo de dados de milhões de usuários pela consultoria Cambridge Analytica, que usou as informações para influenciar nas eleições presidenciais americanas e na campanha do Brexit, Zuckerberg afirmou que isso representou uma “quebra de confiança” e  não pode acontecer novamente. Em seus esforços para recuperar a confiança do público e das autoridades, o empresário disse que a empresa está desenvolvendo novas ferramentas para o usuário apagar seu histórico, o que dará maior controle e privacidade sobre os dados compartilhados. No futuro será possível ver que aplicativos e sites coletam informações do Facebook. Além disso, será criado um controle para que os usuários possam apagar o histórico de navegação, ou seja, não será possível rastrear as páginas acessadas pelo internauta fora da rede social