Número de assassinatos em Londres aumenta e preocupa moradores e autoridade

No início de março, a organização mexicana Segurança, Justiça e Paz publicou estudo com as 50 cidades mais violentas do mundo. Nenhuma delas estava na Europa, muito menos no Reino Unido. No entanto, uma aumento da taxa de assassinatos em Londres vem gerando preocupação nas autoridades locais. Em fevereiro e março, o número de homicídios na capital britânica superou o de Nova York, acendendo o sinal de alerta. As duas cidades têm populações parecidas, de pouco mais de 8,5 milhões de habitantes. 

Desde o início do ano, a polícia metropolitana de Londres investigou 46 assassinatos (31 por esfaqueamento), comparados com 50 na cidade americana. Mas enquanto a taxa de homicídios diminuiu em Nova York a partir do fim de janeiro, na cidade britânica o índice teve um relativo aumento. 

Em janeiro, a polícia metropolitana investigou oito assassinatos, enquanto em Nova York esse número foi de 18. Em fevereiro, houve registro de 11 homicídios na cidade americana, já em Londres ocorreram 15 crimes deste tipo. Em março, o número de assassinatos na capital do Reino Unido chegou a 22, enquanto em Nova York foi de 21. 

Na segunda-feira, em um episódio raro em Londres, uma adolescente de 17 anos foi executada a tiros por bandidos que dispararam de dentro de um carro - cena mais frequente em Los Cabos, no México (primeira no ranking da violência, com uma taxa de 111,33 assassinatos por cada cem mil habitantes). 

A adolescente foi morta no bairro de Totenham, quando um veículo passou pela rua Chalgrove Road atirando contra um grupo de jovens. A polícia não sabe o que motivou a ação. 

Conhecidos da vítima disseram que ela não estava envolvida em nenhum tipo de atividade ilícita. Moradores da região afirmam que o local é perigoso e evitam andar nas ruas ao anoitecer. 

A cerca de três quilômetros de distância, em Walthamstow, um adolescente de 16 anos foi baleado e levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu, e um jovem de 15 anos foi esfaqueado. Segundo a polícia, os crimes não tem conexão. Os  episódios chocaram a população londrina e repercutiram bastante na imprensa local. 

Quando comparados com os índices de cidades mais violentas, os índices de homicídios em Londres é baixo. No Rio de Janeiro, por exemplo, no primeiro mês de 2018  foram registrados 133 assassinatos, enquanto em fevereiro o número caiu para 119. Durante todo o ano de 2017, o número de homicídios dolosos investigados pela polícia de Londres foi de 130.

 No entanto, os números preocupam as autoridades, afinal, o mal se corta pela raiz. A sensação de segurança continua sendo um motivo para a  qualidade de vida em Londres, mas para alguns a situação requer atenção. É o caso da jornalista brasileira Cristiane Lebelem, que mora na capital britânica há quatro anos: “No ano passado, houve dois ataques com facas perto de minha casa. Nas duas situações eu havia passado pelo local minutos antes dos crimes ocorrerem. Já não sinto tanta segurança como quando cheguei”.

 A prefeitura londrina diz que está “profundamento preocupada” com os ataques com faca na capital, problema antigo na cidade, mas ressalta que Londres “permanece como um dos locais mais seguros do mundo”.  A polícia afirmou que estava preocupada com o aumento do número de assassinatos em Londres: “Um homicídio já é demais. Estamos trabalhando para entender esse crescimento e o que podemos fazer para prevenir tragédias”. 

Por outro lado,  o ex-chefe da polícia Leroy Logan disse que a violência em Londres está se disseminando como um “vírus”. Ele  afirmou que as autoridades não podem simplesmente prender e revistar as pessoas, e que devem trabalhar ao lado das comunidades para encontrar uma solução para o problema.