Progressista surpreende na Costa Rica e tem vitória expressiva sobre oponente evangélico

O candidato progressista Carlos Alvarado venceu as eleições presidenciais de domingo na Costa Rica com larga vantagem, superando de forma surpreendente o ultraconservador evangélico Fabricio Alvarado por 20 pontos percentuais. As pesquisas indicavam um segundo turno acirrado, com vantagem estreita para Fabricio. A vitória de Carlos, 38 anos, representa uma vitória contundente da centro-esquerda costarriquenha sobre o fundamentalismo religioso.  

Foi a primeira vez na história do país em que a participação do eleitorado no segundo turno foi maior do que no primeiro. Com 95% das urnas apuradas, o jornalista e cientista político Carlos Alvarado levou 60,34% dos votos, contra 39,26% do rival, um conhecido pastor e cantor gospel. No primeiro turno, o agora presidente eleito teve cerca de 65 mil votos a menos do que Fabricio Alvarado, que cresceu exponencialmente com uma campanha agressiva contra direitos fundamentais. Sua legenda, o Partido Renovação Nacional (PRN), tem origem no crescente movimento neopentecostal na Costa Rica. 

O político evangélico tinha inicialmente menos de 5% das intenções de voto, mas chegou à liderança no primeiro turno depois de ameaçar retirar a Costa Rica da Corte Interamericana de Direitos Humanos por conta do apoio da entidade ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, o que é proibido pela  legislação costarriquenha atualmente. Boa parte dos debates eleitorais se concentraram em torno do tema. O novo presidente defendeu o casamento LGBT durante a campanha, que também discutiu os direitos humanos de forma polarizada. 

Fabricio telefonou para Carlos Alvarado e reconheceu o resultado da eleição. “Não vencemos, mas podemos aceitar este resultado de cabeça erguida”, afirmou o candidato derrotado. Seu partido, o PRN, elegeu a segunda maior bancada do Congresso. 

A candidatura de Carlos Alvarado uniu setores progressistas do país e fez história na escolha da sua companheira de chapa, Epsy Campbell Barr. Ela é a primeira mulher negra a ser eleita vice-presidente de um país na América Latina. Em 2006, ela chegou bem perto de assumir o mesmo cargo, mas perdeu a eleição por 1%. O país já teve uma presidente mulher, Laura Chinchilla, que governou de 2010 a 2014.  Carlos Alvarado e Epsy Campbell Barr tomam posse em 8 de maio. 

O PAC já comanda o país desde 2014, quando o atual presidente, Luis Guillermo Solís, assumiu o cargo para um mandato de quatro anos. A reeleição não é permitida no país. Alvarado, que foi ministro do Trabalho e do Desenvolvimento Social de Solís, será o presidente mais jovem do país desde a fundação da Segunda República em 1949. 

O governo de Solís sofreu intenso desgaste na opinião pública por conta de acusações de tráfico de influência e do aumento dos índices de violência no país. Entretanto, analistas afirmam que Carlos Alvarado conseguiu se dissociar dos problemas e apresentar uma face renovada do PAC. 

Já com o resultado das urnas consolidado, Carlos saudou o resultado expressivo. “Se esta campanha nos ensinou algo, é que existe muito mais que nos une do que nos separa”, declarou ao celebrar a vitória. O novo presidente também prometeu entrar em contato com líderes partidários do próximo Congresso para construir um governo de unidade, e pediu para que o parlamento aprove uma reforma tributária que promete amenizar o déficit fiscal do país, que compromete 6,2% do Produto Interno Bruto.

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