Vaticano descarta acordo histórico iminente com a China

A assinatura de um acordo histórico entre a China e o Vaticano sobre a nomeação de bispos "não é iminente", indicou nesta quinta-feira o diretor de comunicação do Vaticano, negando uma afirmação de uma autoridade da Igreja ligada ao regime comunista.

O secretário-geral da Conferência Episcopal da China, Dom Guo Jincai, havia dito ao jornal Global Times que, "se tudo correr bem, o acordo poderá ser assinado até o final deste mês", ou seja, mais tardar no sábado.

"Posso afirmar que não há assinatura iminente de um acordo entre a Santa Sé e a República Popular da China", assegurou por sua vez Greg Burke, diretor do serviço de comunicação do Vaticano em comunicado.

O papa Francisco "mantém contato com seus colaboradores sobre as questões chinesas e acompanha as etapas do diálogo em curso", acrescentou.

O Vaticano e a China não mantêm relações diplomáticas desde 1951.

Os cerca de 12 milhões de católicos chineses estão divididos entre duas obediências: uma Igreja "patriótica" dirigida pelo regime e uma Igreja clandestina que só reconhece a autoridade do papa.

"As negociações sobre a questão estão na última fase", declarou Jincai, de acordo com o jornal Global Times.

"Se tudo correr bem, o acordo pode ser assinado até o fim do mês", completou, o que significaria no mais tardar sábado.

O Vaticano está se aproximando de um acordo histórico com a China comunista sobre a espinhosa questão da nomeação de bispos, com a decisão da Santa Sé de reconhecer sete prelados nomeados unilateralmente pelo regime de Pequim, segundo afirmou no início de fevereiro à AFP uma fonte próxima ao caso.

Guo não revelou qual seria o o teor do acordo, mas o Global Times citou "especialistas" segundo os quais envolveria apenas temas religiosos e não diplomáticos. Isto descarta que o Vaticano reconheça oficialmente o regime de Pequim. A Santa Sé mantém relações oficiais com o governo de Taiwan.

De acordo com várias fontes, o acordo em preparação incluiria apenas o procedimento de designação dos bispos, que seriam aprovados tanto pelo papa como como pelo regime chinês.

Um analista citado pelo jornal disse que Pequim espera do Vaticano o reconhecimento oficial dos sete bispos nomeados pelo regime sem o aval da Santa Sé.

Saber se o pontífice reconhece simplesmente seu título ou se confere uma verdadeira autoridade em suas dioceses "tem muita importância", destacou Wang Meixiu, pesquisador da Academia Chinesa de Ciências Sociais, citado pelo Global Times.

De acordo com as informações do jornal católico francês La Croix, publicadas na segunda-feira, uma delegação chinesa desembarcará em Roma na próxima semana.

A China tem um total de 77 bispos, dois terços dos quais são reconhecidos por Roma e Pequim. Dezessete outros são reconhecidos pela Igreja, mas não pelo regime.