Rússia anuncia expulsão de 60 diplomatas americanos

A Rússia vai expulsar 60 diplomatas americanos e fechará o consulado dos Estados Unidos em São Petersburgo, medidas idênticas àquelas adotadas por Washington contra Moscou pelo caso Skripal - declarou nesta quinta-feira (29) o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov.

As medidas adotadas por Moscou "incluem a expulsão do mesmo número de diplomatas e a retirada da acreditação do consulado-geral dos Estados Unidos em São Petersburgo", no noroeste da Rússia, informou Lavrov em coletiva de imprensa.

"Enquanto os outros países tomarem medidas simétricas (...) isso é tudo pelo momento", indicou Lavrov.

O ministro russo acrescentou que a Rússia está reagindo a "medidas absolutamente inaceitáveis, tomadas sob grande pressão dos Estados Unidos e Grã-Bretanha sob o pretexto do denominado caso Skripal".

Moscou já havia expulsado 23 diplomatas britânicos e cessado as atividades do British Council na Rússia.

Cerca de 30 países ocidentais anunciaram a expulsão de mais de 140 funcionários de missões diplomáticas russas por causa do escândalo do envenenamento do ex-espião Serguei Skripal em 4 de março na cidade britânica de Salisbury. Sua filha Yulia, que também foi envenenada, recupera-se rapidamente e já pode falar, informou o hospital, onde ambos estão sendo tratados.

A investigação do caso mobiliza mais de 250 policiais britânicos.

A escalada diplomática não dá sinais de se atenuar, porque rapidamente Washington indicou que "não há qualquer justificativa para a reação russa".

Washington "se reserva o direito" de voltar a responder, afirmou a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert.

- 'Melhora rapidamente' -

Yulia Skripal, de 33 anos, saiu da Unidade de Tratamento Intensivo nesta quinta, e sua saúde "melhora rapidamente".

"Já não se encontra em estado crítico, e sua situação é estável agora", disse o hospital de Salisbury.

Segundo a BBC, ela está consciente e pode falar, mas continua precisando de cuidados específicos "24 horas por dia", disse a diretora médica do hospital, Christine Blanshard.

O pai, de 66 anos, permanece em situação crítica, mas estável, acrescentou.

As autoridades britânicas responsabilizaram o governo russo pelo envenenamento, mas Moscou nega qualquer envolvimento no ataque.

O ataque de Salisbury é considerado o primeiro uso de uma arma química na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

A terceira vítima, Nick Bailey, recebeu alta na última quinta-feira. Ele foi o primeiro policial a intervir para auxiliar Serguei Skripal e sua filha quando estavam inconscientes em um banco público.

Segundo os investigadores, o pai e a filha entraram em contato pela primeira vez com o agente tóxico na residência do ex-espião.

"Os especialistas identificaram os níveis de concentração mais altos do agente neurotóxico, por enquanto, na porta de entrada da residência em Salisbury", disse a Polícia Metropolitana de Londres na quarta-feira.

A investigação pode levar meses e se concentrará no domicílio de Serguei Skripal e seus arredores.

- O ex-espião e o mundo -

Skripal, um coronel russo que passou informação para os serviços secretos britânicos, foi descoberto e detido na Rússia, mas entrando em uma troca de espiões no aeroporto de Viena em 2010 e vivia no Reino Unido desde então.

A investigação sobre o envenenamento de Salisbury é uma das mais complexas já tratadas pelos serviços antiterroristas e pelos 250 especialistas que estão tentando elucidar o caso.

Na semana passada, um juiz britânico autorizou a coleta de sangue do ex-espião russo e de sua filha para que a amostra seja analisada pelos especialistas em armas químicas, anunciaram fontes judiciais.

Uma corte de Londres teve de dar sua permissão para as amostras destinadas à Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq), porque a gravidade do estado de Serguei Skripal e de sua filha Yulia lhes impedia de dar seu consentimento.

Tanto a Rússia quanto o Reino Unido pertencem à Opaq, que tem como missão eliminar todo o tipo de arma química.