Conheça os principais candidatos à presidência do México

A campanha para a eleição presidencial mexicana de 1° de julho começa nesta sexta-feira (30), com o candidato Andrés Manuel López Obrador - AMLO, como é conhecido -, liderando as pesquisas. A seguir, o perfil dos principais candidatos:

- López Obrador, o candidato que se transformou a cada eleição -  

O veterano da esquerda Andrés Manuel López Obrador tenta de novo a Presidência, prometendo acabar com a corrupção, mas, desta vez, tenta suavizar um estilo descrito pelos detratores como populista. Segundo ele, "a terceira candidatura é a vitória".

O político de 64 anos é um velho conhecido na política mexicana, pois já tentou a Presidência em 2006 e em 2012. Foi prefeito da Cidade do México (2000-2006).

Em 2006, perdeu a eleição presidencial por 0,56% para o conservador Felipe Calderón, denunciou fraude e encabeçou protestos.

Em 2012, moderou seu discurso e ficou em segundo lugar, atrás de Enrique Peña Nieto, do PRI.

Originário do estado de Tabasco e militante no início da carreira pelo PRI, posteriormente pelo PRD e agora pelo Morena, partido que ele mesmo fundou, López Obrador polariza opiniões.

Para seus simpatizantes, é um homem honesto, para seus críticos, um demagogo autoritário.

Dizem que é profundamente religioso, mas não se sabe se é católico, ou protestante: seu partido evoca a Virgem de Guadalupe, chamada carinhosamente de "Moreninha", e se aliou a um polêmico partido de aspiração evangélica.

A respeito do aborto, ou do casamento gay, afirma que são temas que devem ser levados a consulta popular.

"A maior dessas contradições está no nome de seu filho mais novo, Jesús Ernesto, mistura de Jesus Cristo e de Ernesto 'Che' Guevara", escreveu o jornalista Raymundo Rivapalacio no jornal "El Financiero".

As comparações com o falecido presidente venezuelano Hugo Chávez o acompanham há anos, o que afasta muitos eleitores. "Nós nos inspiramos no melhor de nossa história nacional. Nem chavismo, nem trumpismo", afirmou durante um comício.

- Anaya, o 'jovem maravilha' que quer renovação -

Apelidado de "jovem maravilha" por sua vertiginosa ascensão política, Ricardo Anaya quer ser presidente com a promessa de governar inspirado pelos líderes do Vale do Silício, renegando a "velha política".

Com 39 anos e em segundo lugar na maioria das pesquisas, Anaya é um dos candidatos presidenciais mais jovens do México e se apresenta pelo Partido Ação Nacional (PAN), impulsionado por uma coalizão de direita e de esquerda. Seus comícios são dignos de apresentações da Apple, ou Google.

Fala inglês e francês e possui uma memória definida como assombrosa pelas pessoas, em grande contraste com o tom vago de López Obrador.

Foi líder da Câmara de Deputados no período 2013-2014, onde deu seu estilo dinâmico.

Alguns o descrevem como ambicioso, perfeccionista, impaciente e muito preparado. Outros dão a ele o perfil de um político maquiavélico.

"Há talvez um pouco de inveja nisso", admitiu o ex-presidente do esquerdista Partido da Revolução Democrática (PRD) Agustín Basave, que negociou com Anaya a aliança entre o PRD e PAN para as eleições de 2016. A coalizão arrebatou sete de 12 governos do PRI, quebrando definitivamente os consensos formados no início da Presidência de Enrique Peña Nieto.

"Peña Nieto o detesta, o vê com profunda antipatia. Dizem que é porque Ricardo passou de um político negociador a um político de oposição muito dura, muito frontal, quase radical", afirma Basave.

Figuras do PAN, como o ex-presidente Felipe Calderón e sua esposa, a candidata presidencial independente Margarita Zavala, pintam Anaya como um político inescrupuloso e desleal.

"Anaya estava disposto a destruir seu próprio partido, dividi-lo em múltiplas partes para obter a candidatura presidencial", afirma Pamela Starr, analista de política internacional e diretora da US-Mexico Network, da Universidade do Sul da Califórnia.

Mas o maior problema para Anaya é a acusação de que estaria envolvido em uma operação imobiliária com recursos ilícitos investigada pelo Ministério Público. Ele atribuiu a investigação a uma perseguição política.

Tem família próspera, mas cultiva uma imagem austera. Pai de três filhos, é casado com Carolina Martínez, sua namorada desde a faculdade.

- Meade, o candidato que carrega o peso do PRI -

É descrito por seus próximos como inteligente, solidário e gerador de confiança. José Antonio Meade parece ter tudo que é necessário para vencer a Presidência, mas carrega o peso do ex-hegemônico Partido Revolucionário Institucional (PRI) e a impopularidade do mandatário Enrique Peña Nieto.

Negociador habilidoso, Meade, de 49, sofre, no entanto, com a falta de carisma na primeira eleição que disputa e com os problemas do PRI. Depois de voltar ao poder em 2012, o partido está envolvido em escândalos de corrupção e no aumento da violência criminal.

De ascendência irlandesa e libanesa, Meade tem um perfil discreto, dirige sua própria van e viaja em aviões comerciais.

Uma vez, quando era secretário da Fazenda, ao voltar do exterior, sua bagagem foi escolhida aleatoriamente na alfândega para ser averiguada. Os funcionários tentaram evitar que fosse submetido à inspeção, mas ele se submeteu ao procedimento como qualquer passageiro.

Meade estudou Economia no Instituto Tecnológico Autônomo do México (Itam, privado) e Direito na Universidade Nacional Autônoma do México, onde já demonstrou sua vocação para a política.

O jornalista Fausto Pretelin, colega de Meade no Itam, destaca sua grande inteligência e qualidade humana. "É uma pessoa muito amável, transparente, solidário e brilhante como estudante", elogiou.

Em contraste com Peña Nieto, sempre preocupado com sua aparência, Meade pouco liga para esse aspecto e costuma brincar com as manchas de seu rosto, resultado de um vitiligo.

"Elas me dão personalidade e, além disso, um bom material para memes", explicou.

Nos corredores da políticas, dizem que o presidente o indicou como candidato, apesar de ele nunca ter militado em nenhum partido político, mesmo com seu pai, Dionisio Meade, ter sido peça-chave do PRI.

Serviu a governos de cores distintas: com o conservador Felipe Calderón, foi secretário de Energia (2011), e com Peña Nieto assumiu as pastas das Relações Exteriores, Desenvolvimento Social e Fazenda.

Meade se apresenta como um político honesto e sem partido e questiona seus adversários Ricardo Anaya por ter um estilo de vida superior a suas rendas e o esquerdista Andrés Manuel López Obrador por não pagar impostos e ter rendimentos de origem incerta.

Mas também é alvo de acusações de opositores que o reprovam por não ter auditado um milionário desvio de recursos na Secretaria de Desenvolvimento Social.

A seu favor tem sua carismática esposa, a artista gráfica Juana Cuevas, que foi sua colega no Itam e sempre o acompanha nos compromissos de campanha. O casal tem três filhos.