Ex-presidente catalão Puigdemont é detido na Alemanha

Acusado de rebelião pela Justiça espanhola e alvo de uma ordem de prisão europeia, o ex-presidente separatista catalão Carles Puigdemont foi detido neste domingo (25) na Alemanha, quando cruzava de carro a fronteira da Dinamarca.

"Foi preso às 11h19 (6h19 de Brasília) por uma patrulha da polícia de trânsito em Schleswig-Holstein", um estado do norte da Alemanha, indicou o porta-voz, explicando que a prisão responde a uma ordem europeia.

"Agora está sob custódia policial", acrescentou.

A detenção foi confirmada à AFP pela porta-voz do Juntos pela Catalunha, a coalizão de Puigdemont.

"Está retido. Posso confirmar que está retido pela Polícia. Estava cruzando a fronteira da Dinamarca com a Alemanha, e o tratamento tem sido muito bom. Todos os seus advogados estão lá", disse a porta-voz Anna Grabalosa.

Na segunda-feira (26), Puigdemont se apresentará a um juiz que deverá confirmar sua identidade - informou a Procuradoria alemã de Schleswig.

"Esse comparecimento tem por objeto unicamente verificar a identidade da pessoa detida. O tribunal regional de Schleswig-Holstein em Schleswig deverá decidir depois, se Puigdemont deve ser detido, visando a uma entrega" para a Espanha, disse a Procuradoria em um comunicado.

Na sexta-feira, o juiz espanhol que instrui a causa contra a cúpula separatista catalã, Pablo Llarena, confirmou a acusação de "rebelião" contra 13 responsáveis, entre eles Puigdemont.

O ex-presidente estava na Finlândia quando o juiz reativou a ordem de captura, mas deixou este país na sexta antes que a Polícia pudesse começar a busca oficialmente.

Puigdemont foi destituído do cargo pelo governo de Madri após a frustrada declaração de independência de 27 de outubro. Depois, exilou-se voluntariamente na Bélgica, onde vive desde então, embora tenha viajado para vários países.

A tentativa de criar uma república separada da Espanha acabou com a perda temporária de autonomia da Catalunha, atualmente controlada de maneira direta pelo governo espanhol.

- Viagem para Finlândia -

Puigdemont havia viajado para a Finlândia, cujas autoridades receberam a ordem de detenção europeia emitida pela Justiça espanhola. Ele esteve em Helsinque para se reunir com deputados deste país e participar de um seminário na universidade da capital finlandesa.

Em seu retorno desta viagem, acabou preso, como também confirmou o advogado de Puigdemont, Jaume Alonso Cuevillas.

"O tratamento (da polícia alemã) tem sido correto em todos os momentos. Atualmente, encontra-se em uma delegacia, e sua defesa jurídica está sendo ativada", tuitou o advogado.

O deputado Francesc de Dalmases da coalizão de Puigdemont tuitou: "Devemos manter o presidente @KRLS longe da injustiça espanhola. Devemos alçar todas as vozes e usar todos os mecanismos ao nosso alcance para impedir a extradição".

Os separatistas catalães preparavam várias manifestações em Barcelona para a tarde deste domingo, logo depois de saberem da prisão na Alemanha.

Além disso, os chamados Comitês de Defesa da República, grupos autônomos de separatistas radicais, convocaram protestos para as 16h locais (11h de Brasília) nas Ramblas de Barcelona e, três horas depois, diante da delegação do governo espanhol. Lá, houve confrontos entre manifestantes e policiais na sexta-feira.

Na tarde deste domingo, já era possível ver milhares de pessoas protestando em Barcelona com bandeiras da Catalunha. Os manifestantes se encaminhavam para a sede da Comissão Europeia na cidade catalã.

Os presentes gritavam "liberdade para os presos políticos" e "Puigdemont, nosso presidente". Em frente à representação da Comissão, diziam: "esta Europa é uma vergonha".

"O que estão fazendo esses dias é totalmente desmedido. Nos tratam como criminosos por querermos a independência. Já não é uma questão de ideologia, mas de respeito aos direitos humanos", disse, chorando, Rosa Vela, uma professora de 60 anos.

Judith Cárpena, de 22 anos e estudante de Arquitetura, advertiu os que se opõem à independência da Catalunha: "não cantem vitória, não é o fim do separatismo. O independentismo é liderado pelo povo, e não podem prender todos nós. Haverá outros Puigdemont".

No âmbito político, o Parlamento catalão suspendeu no sábado a posse de um novo presidente regional por conta da prisão do candidato independentista Jordi Turull, mais um atingido pelo duro golpe judicial contra a cúpula separatista, que afunda a Catalunha em um novo bloqueio político.

A intervenção do governo central de Madri na Catalunha continuará até que os separatistas - maioria parlamentar nas eleições regionais de 21 de dezembro - escolham um presidente, e este forme um governo. Se não conseguirem isso até 22 de maio, a região deverá realizar novas eleições.