Advogado de Sarkozy vai apelar contra medidas impostas após indiciamento

O advogado do ex-presidente francês Nicolas Sarkozy anunciou nesta sexta-feira que vai recorrer contra as medidas judiciais impostas a seu cliente, indiciado na quarta-feira na investigação sobre o suposto financiamento líbio de sua campanha eleitoral em 2007.  

O advogado Thierry Herzog afirmou que as medidas impostas proíbem a Sarkozy reunir-se com outras pessoas investigadas no caso, incluindo dois ex-ministros muito próximos a ele durante sua presidência (2007-2012), e impedem viagens a Líbia, Egito, Tunísia e África do Sul.

Esta é a primeira vez que a justiça toma uma decisão do tipo para um ex-presidente francês durante a V República, em vigor desde a aprovação da Constituição de 1958. 

"Há um duplo grau de jurisdição na França. Temos o direito de recorrer. Apelarei contra este controle judicial e veremos o que diz a câmara de instrução de Paris", declarou Herzog. 

Após mais de 24 horas de detenção preventiva, Sarkozy foi indiciado na quarta-feira à noite por "corrupção passiva, financiamento ilícito de campanha eleitoral e acobertamento de fundos públicos líbios". O ex-presidente nega todas as acusações. 

O indiciamento é o capítulo mais recente do caso, investigado pela justiça há quase cinco anos. 

De acordo com o advogado, a convocação de Sarkozy para uma detenção preventiva foi "a crônica de um indiciamento que já estava anunciado". 

Herzog lembrou que o cliente já havia sido indiciado por outro caso, o do suposto financiamento ilícito de sua campanha pela falecida proprietária do grupo L'Oréal, Liliane Bettencourt, antes de um arquivamento.

"Acontecerá o mesmo desta vez", disse.

Herzog afirmou que o ex-presidente respondeu as mais de 200 perguntas feitas durante a detenção preventiva.

Na quinta-feira, Nicolas Sarkozy reagiu e prometeu fazer "triunfar sua honra".