Alemanha condena à prisão oito ultradireitistas por ataques a refugiados

Oito membros de um pequeno grupo alemão de extrema direita foram condenados nesta quarta-feira (7) a penas entre quatro e 10 anos de prisão por ataques considerados terroristas contra refugiados em 2015, em plena crise migratória.

Um tribunal de Dresden, no leste da Alemanha, considerou que os acusados - sete homens e uma mulher de entre 20 e 40 anos atualmente - eram membros "de uma organização terrorista", o Grupo Freital, pelo nome da localidade saxã na qual ocorreu a maior parte dos ataques.

Vários dos acusados reconheceram os feitos e pediram desculpas, mas negaram a qualificação de terrorismo.

O suposto cérebro do grupo, Timo Schulz, um motorista de ônibus que manteve silêncio durante todo o julgamento, recebeu a pena mais dura: 10 anos de prisão.

Patrick Festing, um entregador de pizza que se tornou especialista em explosivos do grupo, disse durante o julgamento estar "arrependido", mas foi condenado a nove anos e meio de reclusão.

A única mulher, Maria Kleinert, recebeu uma pena de cinco anos e meio. Durante o processo esboçou um tom de mea culpa e disse que ela mesma havia "sofrido discriminação e exclusão" devido a sua homossexualidade.

A Procuradoria havia solicitado entre cinco e 11 anos de prisão para os oito acusados por "constituição de projeto terrorista", "tentativa de assassinato" e "danos corporais" após cinco atentados com explosivo entre julho e novembro de 2015 contra lares de refugiados e militantes de esquerda.

Felizmente, somente um solicitante de refúgio ficou ferido nesta série de ataques, que coincidiram com o auge da chegada de mais de um milhão de migrantes à Alemanha entre 2015 e 2016.

Todos as ações ocorreram na Saxônia, berço do movimento islamofóbico Pegida, que então se encontrava no centro da hostilidade com os migrantes. O Freital ocupava capas do jornais por suas turbulentas manifestações, com lemas racistas e saudações hitlerianas.

Em plena onda de chegada dos solicitantes de refúgio à Alemanha, os ataques contra os refugiados ou lares de acolhida se multiplicaram.

Em 2017 foram registrados 2.219 atos deste tipo, uma cifra mais baixa em relação aos 3.500 registrados em 2016.

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