Trump saúda disposição da Coreia do Norte de discutir programa nuclear

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, saudou nesta terça-feira (6) a disposição da Coreia do Norte de discutir um eventual abandono de seu polêmico programa de armas nucleares em troca de garantias de segurança.

Os líderes de Coreia do Norte e Coreia do Sul concordaram em realizar uma cúpula em abril na Zona Desmilitarizada, depois que Pyongyang sugeriu a possibilidade de renunciar a suas armas atômicas se obtiver garantias para sua segurança nacional, informou nesta terça Chung Eui-yong, emissário do presidente sul-coreano, Moon Jae-in.

Durante um breve contato com jornalistas no Salão Oval da Casa Branca, Trump disse nesta terça-feira que as declarações feitas após o encontro entre as delegações coreanas eram "muito positivas".

"Acho que as declarações que chegam da Coreia do Sul e da Coreia do Norte foram muito positivas", declarou Trump, para acrescentar que a substituição da tensão pelo diálogo com Pyongyang "seria muito boa para todo mundo e para a península coreana".

Em uma coletiva de imprensa posterior, Trump avaliou que os dirigentes norte-coreanos são "sinceros" em sua oferta de diálogo, mas apontou que "são sinceros também pelas sanções e por tudo o que estivemos fazendo sobre a Coreia do Norte".

"Por isso acho que são sinceros. Espero que sejam sinceros. Logo saberemos", acrescentou, em uma evidente amostra de cautela.

'Diálogo franco'

Chung liderou uma delegação sul-coreana que visitou a capital norte-coreana e foi recebida pelo líder Kim Jong Un, e, ao retornar a Seul, surpreendeu o mundo com a proposta que lhe foi apresentada.

De acordo com Chung, Kim está disposto a falar sobre a desnuclearização em conversas com os Estados Unidos, o que poderia constituir a concessão crucial necessária para permitir o diálogo.

Pyongyang "deixou claro que não há motivos para ter (armas) nucleares caso sejam retiradas as ameaças militares contra a Coreia do Norte e se garanta a segurança de seu regime", afirmou. 

Também "expressou sua vontade de manter um diálogo franco com os Estados Unidos para discutir o tema da desnuclearização e normalizar as relações" entre Coreia do Norte e Estados Unidos. 

Durante o diálogo, o regime norte-coreano prometeu suspender os testes nucleares e de mísseis, afirmou Chung.

O governo dos Estados Unidos insiste há muito tempo que a Coreia do Norte deve dar passos concretos para a desnuclearização como condição prévia.

Por isso, nesta mesma terça-feira, o vice-presidente americano, Mike Pence, disse que Washington irá manter "pressão máxima" sobre a Coreia do Norte até que dê passos claros para a desnuclearização.

"Os Estados Unidos e seus aliados seguem firmes em impor a pressão máxima sobre o regime de Kim (Jong Un) para acabar com seu programa nuclear", apontou.

Um alto funcionário da administração de Trump disse nesta terça-feira que Washington pretende manter seus exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul, apesar da brecha diplomática.

"Depois dos Jogos Olímpicos e dos Jogos Paralímpicos (de inverno) é natural que nossa rotina de exercícios defensivos seja retomada", disse o funcionário, que pediu para não ser identificado.

O diretor nacional de Inteligência, Dan Coats, disse ao Comitê de Serviços Armados do Senado americano que "se sentia bastante cético" com relação a esta situação. "Talvez isso seja um grande avanço. Duvido seriamente", acrescentou.

ONU disposta a ajudar

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, se disse alentado pelo rumo das conversações entre as duas Coreias e a perspectiva de uma  negociação sobre a eliminação das armas nucleares na Península coreana. 

"Os últimos acontecimentos representam progressos para se estabelecer as bases da retomada de um diálogo sincero, para uma paz sustentável e para a eliminação das armas nucleares da península coreana".

O secretário-geral manifestou "a necessidade de proteger este momento e aproveitar a oportunidade de se encontrar um caminho pacífico no futuro".

"Obviamente estamos motivados por estas discussões", declarou mais cedo o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric.

Os anúncios desta terça-feira representam os avanços mais recentes da aproximação registrada na península da Coreia com os Jogos de Inverno e acontecem após um ano de grandes tensões.

Estas se aprofundaram depois que a Coreia do Norte realizou seu teste nuclear de maior potência e vários lançamentos de mísseis, incluindo alguns com capacidade para atingir o território continental americano.

O clima ficou ainda mais tenso com a troca de insultos pessoais e ameaça apocalípticas entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder norte-coreano. O primeiro chamou o segundo de "pequeno homem foguete", enquanto Kim disse que o americano era um "velho doente mental".

Na noite deste terça-feira, o departamento de Estado revelou que Pyongyang encomendou o assassinato de Kim Jong-Nam, meio-irmão e adversário em potencial de Kim Jong-Un.

O meio-irmão do líder norte-coreano foi morto no ano passado com o agente neurotóxico VX borrifado em seu rosto por duas mulheres quando estava no Aeroporto de Kuala Lumpur, na Malásia.

"Este desprezo público pelas normas universais contra o uso de armas químicas demonstra uma vez mais a natureza impiedosa da Coreia do Norte e destaca que não podemos nos permitir tolerar um programa norte-coreano de armas de destruição em massa de nenhum tipo", disse Nauert em um comunicado.

Kim Jong-Nam chegou a ser visto como o herdeiro natural de seu pai, Kim Jong-Il, e alguns relatórios sugerem que a China o considerou um substituto em caso de crise.

Linha de comunicação

A cúpula entre as Coreias acontecerá no final de abril na localidade de Panmunjom, na Zona Desmilitarizada (DMZ) que separa a Coreia do Norte da Coreia do Sul, e será precedida por uma conversa telefônica entre Kim Jong Un e Moon Jae-in.

Os dois países também concordaram com a abertura de uma linha de comunicação direta de emergência entre seus dois dirigentes, informou Chung Eui-yong.

Esta será a terceira reunião de cúpula entre os dirigentes dos dois países desde o fim da guerra da Coreia (1950-1953). As anteriores aconteceram em 2000 e em 2007.

"O Sul e o Norte estão de acordo sobre uma linha de comunicação de emergência entre os dirigentes para desativar as tensões militares e para uma coordenação estreita", afirmou o representante sul-coreano.

Chung e os diplomatas sul-coreanos que o acompanharam a Pyongyang são os principais representantes do governo da Coreia do Sul a viajar ao Norte em mais de 10 anos.

Os emissários sul-coreanos devem viajar na quarta-feira a Washington para informar sobre a missão. O governo dos Estados Unidos acaba de impor novas sanções unilaterais contra a Coreia do Norte, as mais duras até o momento, segundo o presidente Trump.

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