Justiça da Austrália ouve testemunhas contra nº 3 do Vaticano

George Pell é acusado de cometer 'múltiplos' casos de pedofilia

O Tribunal de Justiça de Melbourne iniciou nesta segunda-feira (5) uma investigação preliminar para determinar se o cardeal australiano George Pell, tesoureiro do Vaticano, deve ser indiciado por acusações de pedofilia.

O religioso é o terceiro na hierarquia da Santa Sé, o que o torna a mais alta autoridade da Igreja Católica a ser investigada pelo crime.

Durante a audiência, os magistrados começaram a ouvir testemunhas que acusam Pell, 76 anos, de cometer "múltiplos" casos históricos de pedofilia, além de acobertar sacerdotes que cometeram os crimes sexuais na década de 1970.

A natureza exata das acusações não foi revelada e os detalhes das acusações não foram tornados públicos. O processo preliminar poderá durar até um mês e vai definir se há evidências suficientes para encaminhá-lo a julgamento.

Estão previstos os depoimentos de 50 testemunhas, que determinarão a quantidade de provas sobre o caso. Esta etapa deve durar duas semanas, e todas as sessões serão fechadas. No começo da sessão desta segunda, Pell não expressou nenhuma palavra durante os primeiros 25 minutos. O cardeal chegou ao tribunal acompanhado dos advogados de defesa e não fez declarações à imprensa.

A audiência foi liderada pela juíza Belinda Wallington e teve início com a autorização para que depoimentos fossem colhidos por videoconferência. Além disso, a magistrada permitiu que uma das possíveis vítimas falasse acompanhada de um cachorro. No entanto, até o momento, o que se sabe, durante anos de investigação, é que o "número 3" do Vaticano é acusado de atuar diretamente para evitar que os religiosos fossem levados à Justiça e não por cometer o abuso sexual em si. Pell sempre negou as acusações.

Por conta da polêmica, o papa Francisco autorizou que o cardeal fosse afastado do cargo de prefeito da Secretaria de Economia do Vaticano. A primeira denúncia foi apresentada formalmente em 2015, cerca de 40 após os crimes, para a Comissão Nacional de Investigação sobre a resposta das instituições sociais, religiosas e públicas sobre os casos de pedofilia.