Bombardeios sírios continuam em Ghuta Oriental

Intensos bombardeios aéreos e combates abalavam o enclave rebelde sírio de Ghuta Oriental nesta terça-feira (6), enquanto França e Grã-Bretanha pediram uma reunião de emergência das Nações Unidas para discutir a escalada da violência neste país.

Cerca de 800 civis, incluindo 177 crianças, morreram desde que as forças do governo apoiadas por seu aliado russo lançaram novos ataques contra o enclave localizado perto de Damasco, em 18 de fevereiro passado.

À medida que o regime se faz de surdo à trégua, França e Grã-Bretanha pediram uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, que deverá se reunir na quarta-feira para discutir os ataques aéreos e confrontos no enclave, apesar do cessar-fogo de um mês solicitado pelo órgão executivo das Nações Unidas há dez dias.

O Exército russo, que intervém na Síria em apoio ao governo Bashar al-Assad, anunciou nesta terça-feira que autorizaria, além dos civis, os rebeldes armados a deixarem Ghuta durante a trégua diária proclamada por Moscou.

No enclave, o regime sírio prosseguia seus bombardeios, que deixaram mais nove civis mortos, enquanto as forças leais avançam na zona agrícola desta região sitiada.

Mas, nesta terça-feira, oitavo dia da trégua, "o corredor humanitário foi aberto não apenas para a população civil de Ghuta Oriental, mas também para os combatentes com suas famílias. Os membros das formações armadas ilegais foram autorizados a carregar sua arma pessoal", indicou o general russo Vladimir Zolotukhin, citado pelas agências de notícias russas.

O general não especificou se esse corredor conduz a uma área controlada pelos rebeldes, ou pelo regime.

Até agora, nenhum civil tomou este corredor.

O general russo relatou uma situação "tensa", mas, ao mesmo tempo, com menos tiros na passagem de Wafidine, ponto de controle instalado pelos russos e sírios para esse corredor humanitário.

- Avião militar russo cai -

Também nesta terça, um avião militar russo caiu pouco antes de aterrissar na base militar russa de Hmeimin, no noroeste da Síria, matando seus 32 ocupantes, segundo o Exército russo.

"Em 6 de março, por volta das 15h (9h de Brasília), um avião de transporte An-26 caiu no aeródromo de Hmeimin. Segundo informações preliminares, transportava 26 passageiros e seis tripulantes", informou o Ministério da Defesa russo, citado por agências de notícias.

"A catástrofe, segundo as primeiras informações, deveu-se aparentemente a um problema técnico", acrescentou a mesma fonte, indicando que a aeronave caiu a 500 metros da pista de pouso da base russa e que não foi alvo de tiros.

Uma comissão do Ministério da Defesa vai analisar "todas as versões possíveis do que aconteceu", aponta o comunicado.

E, em outras frentes de batalha, cerca de 1.700 integrantes da coalizão curdo-árabe que combate o grupo Estado Islâmico (EI) no nordeste da Síria serão mobilizados em Afrin. Esse enclave curdo ao noroeste tem sido alvo de uma ofensiva turca desde janeiro, como anunciaram nesta terça-feira as Forças Democráticas Sírias (FDS).

"Tomamos a difícil decisão de retirar os combatentes do subúrbio de Deir Ezzor e das frentes anti-EI para movê-los em Afrin", indicou à AFP Abu Omar al-Idlebi, responsável militar das FDS, apoiadas pelos Estados Unidos, em uma entrevista coletiva em Raqa.

"Nosso povo em Afrin é nossa prioridade e sua proteção é mais importante do que as decisões tomadas pela coalizão internacional", aliada das FDS na guerra contra o Estado Islâmico, acrescentou.

- Violência sem fim -

A brutal ofensiva contra o último grande território rebelde perto da capital é a última do governo em sete anos de guerra civil.

Na semana passda, as tropas oficiais avançaram muito rapidamente nas terras agrícolas de Ghuta Oriental, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Até a manhã desta terça-feira, as forças sírias controlavam 40% desse enclave, segundo a ONG.

O comboio humanitário que entrou na segunda-feira na parte rebelde de Ghuta Oriental teve de interromper sua operação de entrega de ajuda devido aos bombardeios do regime contra o enclave.

O objetivo das entregas era ajudar cerca de 30.000 dos 400.000 habitantes do enclave, que sofrem com a escassez de alimentos e de remédios.

A Síria está mergulhada desde 2011 em uma guerra cada vez mais complexa, que matou mais de 340 mil pessoas.