Campanha acirrada marcou eleições italianas em 2018

Imigração e imposto de renda estiveram na pauta dos candidatos

A curta campanha eleitoral na Itália iniciou extraoficialmente em janeiro, após a dissolução do Parlamento pelo presidente Sergio Mattarella.

Divididos entre três blocos, centro-esquerda, centro-direita e M5S, os partidos começaram sua corrida apelando para o bolso dos cidadãos. Da alíquota única no imposto de renda proposta por Berlusconi à "renda de cidadania" dos 5 Estrelas, os diferentes grupos tentaram usar cortes de taxas e aumento de benefícios sociais para tentar conquistar um eleitorado ainda impactado pela crise econômica dos últimos anos e com taxa de desemprego superior a 11%.

A campanha ganharia novos tons no fim de janeiro, com a morte de Pamela Mastropietro, jovem de 18 anos encontrada desmembrada na província de Macerata, centro do país, e o subsequente atentado de um militante neofascista contra imigrantes negros.

Nas semanas seguintes, marchas antifascistas tomaram conta do país, e a centro-esquerda do PD, liderada pelo ex-premier Matteo Renzi, tentou apelar para o "voto útil" para impedir a chegada da extrema direita ao governo com Berlusconi.

O tema da imigração foi um dos principais da campanha eleitoral, com uma população cada vez mais descontente com a chegada em massa de migrantes forçados aos portos do país via Mar Mediterrâneo - e cada vez mais candidatos dispostos a expulsá-los.

A disputa foi acompanhada com atenção pela União Europeia, que vem tentando impor um sistema de redistribuição de solicitantes de refúgio a todos os seus Estados-membros, política que tem a Itália como maior entusiasta.

Por outro lado, o discurso antieuro perdeu força, com partidos antes eurocéticos, como Liga Norte e M5S, prometendo manter a Itália na zona da moeda comum e na UE para reforçar sua posição no cenário pós-Brexit. Nenhuma das maiores legendas do país empunhou a bandeira contra o euro.