Opositor venezuelano se diz certo de que vitória será reconhecida

O opositor venezuelano Henri Falcón se declarou, nesta sexta-feira, "certo" de que uma vitória sua nas eleições presidenciais de 20 de maio será reconhecida pelos países que hoje censuram essas eleições, nas quais Maduro busca ser reeleito. 

"Uma vez que mudemos este governo, tenham a certeza de que vamos ser reconhecidos pela comunidade internacional e vamos resgatar as relações com nossos aliados", disse Falcón em coletiva de imprensa, após assinar um acordo de garantias eleitorais com Maduro e outro candidato, o pastor evangélico Javier Bertucci.

Os Estados Unidos e vários países da América Latina não reconhecem o processo, bem como a aliança opositora Mesa Unidade Democrática (MUD), que o classifica como "show fraudulento".

Falcón, militar da reserva e dissidente chavista de 56 anos, demonstrou confiança em superar suas diferenças com a MUD, da qual faz parte, que exigiu retirar sua candidatura. 

A aliança elevou o tom de suas críticas contra o político logo após a inscrição de sua candidatura, acusando-o de fazer "o jogo" de Maduro. 

"Aos companheiros da MUD, como sempre, lhes estendo minha mão e expresso meu sentimento de solidariedade, de respeito e, em algum momento, estou certo, vamos concordar no caminho", garantiu o ex-governador do estado de Lara (oeste).

Mais cedo, em uma entrevista com a Unión Radio, pediu para a coalizão abrir um diálogo para "reconstruir as relações" e compreender "que o adversário não é Henri Falcón, que está ao seu lado, mas quem está à frente". 

Em sua opinião, as divisões na MUD são principalmente responsabilidade dos quatro maiores partidos, entre eles os de Henrique Capriles e Leopoldo López - inabilitados para disputar - e o de Henry Ramos Allup.

"A MUD não pode ser quatro partidos, o G4 lhe prejudicou muito", afirmou Falcón.

Segundo o líder, o inimigo a vencer é a abstenção, pois garante que a oposição tem potencial de nove milhões de votos, frente aos cinco milhões do chavismo. 

Citando pesquisas, garantiu que "70% da população quer votar" em um pleito para o qual foram convocados 20,4 milhões de eleitores. 

"Qual a utilidade de não votar? As eleições são no dia 20, o que dirão no dia 21? Qual o plano [de quem boicota a votação]?", questionou.