Antonio Tajani, um homem bem relacionado escolhido pelo mentor, Berlusconi

De uma elegância discreta, rosto aristocrático e com um sorriso amável, Tajani procura agradar e - com frequência - consegue.

Ex-repórter da RAI e do jornal "Il Giornale" (do grupo Berlusconi), ele milita desde a juventude nas fileiras monarquistas italianas.

Seu encontro com Silvio Berlusconi foi, então, determinante, e ele participa da formação do Forza Italia, partido criado pelo bilionário antes das eleições de 1994. A vitória veio na esteira.

Ao se tornar chefe de governo, Berlusconi faz de Antonio Tajani seu porta-voz, até a queda de seu primeiro governo, em 1995.

Deputado europeu desde 1994, Tajani se reelege consecutivamente e se torna a sombra de Berlusconi em Bruxelas e no Partido Popular Europeu (PPE, de direita).

'Ele conhece todo o mundo' 

Homem cheio de contatos, ele respeita o "dress code" dos cavaleiros: terno sóbrio, gravata discreta e um firme aperto de mão. Muito comunicativo e poliglota - fala francês, inglês e espanhol -, é festejado pelos jornalistas europeus.

O problema é que "ele fala muito, mas não diz nada", brinca um assessor do Parlamento europeu.

"Mas ele é hábil e sente as coisas na política", avalia esse porta-voz.

Eleito em 2017 para o cargo de presidente do Parlamento europeu, Tajani não era, porém, o candidato preferido do todo-poderoso presidente do grupo PPE, o alemão Manfred Weber. Ainda assim, supera o favorito, o francês Alain Lamassoure.

Sua eleição foi resultado de uma verdadeira campanha de corpo a corpo: ele se encontrou com cada membro da Casa, conseguindo calcular de muito perto qual seria seu "score", lembra um observador do Parlamento europeu.

"Antonio Tajani ganhou, porque ele sempre foi leal e porque cada parlamentar o conhecia pessoalmente", explicou à AFP o eurodeputado conservador alemão Andreas Schwab.

"Podemos contar com ele. Ele mantém sua palavra", disse o também conservador alemão, Markus Ferber.

Aí reside a força de Antonio Tajani. Ele conhece todo o mundo no Parlamento europeu, assim como na Comissão Europeia, da qual foi membro duas vezes, de 2008 a 2014, e no Conselho dos Chefes de Estado e de Governo, graças a seu mandato como vice-presidente do PPE desde 2002.

Sem inimigos

Tajani foi, porém, duramente criticado na sequência do "Dieselgate", na qualidade de ex-comissário encarregado da legislação hoje posta em xeque sobre as medidas das emissões dos gases poluentes.

"Ele não tem inimigos de verdade. Tajani é a política das redes e da afabilidade", diz uma outra fonte ouvida pela AFP.

Ao receberem Berlusconi em fevereiro em Bruxelas, os dirigentes do PPE lhe pediram que deixasse Tajani no Parlamento europeu, afirmando que "precisavam dele".

"Ele faz um bom trabalho" no Parlamento europeu e na Europa, sobretudo, nos países do sul - insistiram.

Antonio Tajani hesitou longamente até anunciar sua decisão, cedendo a seu mentor apenas três dias antes das eleições, segundo a imprensa italiana.

"Com Tajani, teremos uma nova legitimidade na Europa. Estaremos de novo em condições de contar e de podermos defender os interesses dos italianos", alegou Silvio Berlusconi nesta sexta.