Três prêmios Nobel pedem que Suu Kyi pare os abusos contra rohingyas

Três prêmios do Prêmio Nobel da Paz pediram, nesta segunda-feira, à presidente de Mianmar, Aung San Suu Kyi, para que pare a violência contra a minoria rohingya, alertando que, de outra forma, poderia ser julgada por "genocídio".

O trio integrado por Tawakkol Karman, Shirin Ebadi e Mairead Maguire pediu à sua colega que "acorde" para as atrocidades que estão sendo cometidas contra esta minoria, constatadas depois que visitaram os campos de refugiados em Bangladesh, onde se refugiaram quase um milhão de rohinyas.

"Trata-se claramente de um genocídio que está sendo cometido pelo governo birmanês e o Exército contra o povo rohingya", declarou Maguire.

"Nós rejeitamos esta política de genocídio do governo birmanês. Os responsáveis serão levados perante o TPI (Tribunal Penal Internacional)", advertiu.

Desde o final de agosto, quando a violência começou, cerca de 655.000 rohingyas fugiram de Mianmar para se refugiar no vizinho Bangladesh, no que a ONU considerou uma "limpeza étnica" realizada pelo Exército birmanês.

A líder birmanesa, que já foi um ícone dos direitos humanos, foi criticada por seu silêncio sobre a situação dos rohingyas.

Suu Kyi, Prêmio Nobel da Paz de 1991, gozava de amplo apoio enquanto esteve presa em domicílio por quase duas décadas.

Alguns especialistas acreditam que a decisão de Suu Kyi de não falar sobre o assunto é uma decisão calculada, uma vez que os rohinyas são desprezados pela maioria budista birmanesa e, em qualquer caso, ela não tem controle sobre o Exército.

Em Mianmar, a xenofobia e o ódio aos muçulmanos têm ganhado terreno e uma grande maioria dos habitantes considera os rohingyas como imigrantes ilegais que não fazem parte do país.