Líder do M5S volta atrás e defende que Itália fique no euro

Discurso contra a moeda comum perdeu força no país

Menos de um mês depois de ter defendido a saída da Itália do euro, o líder do Movimento 5 Estrelas (M5S), Luigi Di Maio, afirmou nesta terça-feira (9) que é a favor da permanência do país na zona da moeda comum.

A declaração foi dada em entrevista ao programa "Porta a Porta", um dos mais populares talk shows políticos italianos, abandonando uma bandeira histórica de seu partido, que lidera as pesquisas para as eleições legislativas de 4 de março.

"Não acredito que seja o momento de a Itália sair do euro", disse Di Maio, justificando que o enfraquecimento do "eixo franco-alemão" abre espaço para Roma aumentar sua influência na União Europeia.

Em 18 de dezembro, em outro programa televisivo, o líder do M5S havia adotado um discurso diferente. "Se chegássemos ao plebiscito, que para mim é uma medida extrema, é claro que eu votaria pela saída, porque significaria que a Europa não nos escutou", dissera na ocasião.

Por outro lado, na mesma entrevista, Di Maio afirmara que via "uma grande oportunidade na Europa". Oficialmente, o M5S adota uma postura ambígua em relação à moeda comum. Um dos pilares de seu programa é a convocação de um plebiscito sobre a saída da Itália da eurozona, mas o slogan da campanha pela consulta popular - "Agora você pode escolher entre viver ou morrer" - deixa clara a posição do movimento.

Aos 31 anos, Di Maio é o candidato do M5S a primeiro-ministro e ocupa o cargo de vice-presidente da Câmara dos Deputados.

Euroceticismo em queda - De maneira geral, o discurso antieuro parece ter perdido força na Itália, o que diminui o efeito que a eventual vitória de forças populistas causaria sobre a UE, que tem Roma como uma de suas fundadoras.

Até mesmo Matteo Salvini, o polêmico líder da ultranacionalista Liga Norte, que durante anos defendeu o rompimento com Bruxelas, disse que realizar um plebiscito sobre a moeda comum, neste momento, seria "uma loucura".

Atualmente, o cenário mostrado pelas pesquisas para as eleições de março é de completa incerteza. O M5S aparece na liderança, com 28,2%, seguido pelo governista Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, com 24,1%.

Já o conservador Força Itália (FI), de Silvio Berlusconi, e a Liga têm 14,8% e 13,6%, respectivamente. Se esses números se confirmarem, nenhum partido ou coloração política - direita, esquerda e antissistema - terá maioria no Parlamento para governar.