Rússia e EUA 'duelam' na ONU sobre protestos no Irã

Moscou acusou Washington de interferir em "assuntos internos"

Em reunião de emergência no Conselho de Segurança da ONU, os Estados Unidos acusaram nesta sexta-feira (5) o Irã de "privar seu povo dos principais direitos humanos" e de financiar "ditadores e assassinos".

O encontro foi pedido por Washington, com clara discordância da Rússia e da China, por causa da série de manifestações que deixou mais de 20 mortos no país persa entre o fim de 2017 e o começo de 2018.

"Os direitos humanos não são um presente de um governo, mas sim direitos inalienáveis. Liberdade e dignidade humana não podem ser separados da paz e da segurança", atacou a embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Hayley.

"O regime iraniano priva seu povo dos principais direitos humanos. Nós estamos com quem busca liberdade, prosperidade e dignidade", acrescentou, ressaltando que os manifestantes deram um claro recado para Teerã parar de apoiar o "terrorismo".

O Irã é peça-chave dos conflitos em curso no Oriente Médio, como na Síria e no Iêmen. No primeiro, apoia o regime de Bashar al Assad contra rebeldes; no segundo, está ao lado dos revoltosos iemenitas houthis. Em ambos os casos, exerce um papel de antagonismo em relação à Arábia Saudita, a outra potência da região.

Parceira do Irã no conflito sírio, a Rússia acusou os Estados Unidos de "abusarem da plataforma do Conselho de Segurança", exagerando na convocação de reuniões de emergência. "Lamentamos a perda de vidas humanas, mas deixemos que o Irã cuide dos próprios assuntos internos", disse o embaixador de Moscou na ONU, Vasily Nebenzya.

"Segundo sua lógica [dos EUA], devíamos ter tido reuniões após os episódios em Ferguson e do Occupy Wall Street", acrescentou, em referência a duas grandes ondas de manifestações que aconteceram nos Estados Unidos nos últimos anos.

Na prática, o Conselho de Segurança não tomou nenhuma medida concreta contra o Irã, e o encontro serviu mais para cada lado fazer valer seu ponto de vista.