Primeiro-ministro do Líbano anunciou renúncia sob pressão da Arábia Saudita

A Arábia Saudita obrigou o primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, a anunciar inesperadamente a sua renúncia ao cargo em novembro passado, informou o jornal The New York Times com referência a altos funcionários libaneses, sauditas e ocidentais familiarizados com o caso.

Segundo o jornal, na manhã do segundo dia da sua visita à Arábia Saudita, Hariri foi convocado por funcionários sauditas. Os agentes de segurança da Arábia Saudita detiveram o primeiro ministro, empurrando-o e insultando-o, ficaram com seus celulares e permitiram apenas a um guarda-costas ficar com ele. Depois, de acordo com o jornal, Hariri recebeu um discurso de renúncia escrito com antecedência e foi forçado a lê-lo. O discurso foi transmitido pela televisão saudita.

No Líbano, a declaração foi encarada com desconfiança. O presidente libanês Michel Aoun recusou aceitar a renúncia de Hariri. Em algumas horas, o primeiro-ministro conseguiu contatar o presidente, que, por sua vez, entendeu que Hariri não podia falar abertamente. Depois disso, os políticos libaneses tentaram convencer os responsáveis ocidentais de que Hariri tinha sido detido.

Segundo os dados do jornal, Hariri foi confinado à prisão domiciliar e não podia ver a sua família. É indicado que vários diplomatas de países ocidentais o visitaram mas ficaram convencidos de que o primeiro-ministro libanês se sentia livre.

O The New York Times informou que essas ações da Arábia Saudita estão ligadas ao desejo do príncipe herdeiro Mohammad bin Salman "pôr fim às ambições regionais do antigo adversário da Arábia Saudita, o Irã". De acordo com o jornal, Riad estava descontente por Hariri se ter encontrado com políticos iranianos.

No fim de novembro, Saad Hariri voltou a Beirute suspendeu a sua renúncia.

O presidente do Líbano qualificou a atitude da Arábia Saudita como um ato de "agressão" contra o Líbano.

Sputnik