Espanha destitui presidente da Catalunha, dissolve Parlamento e convoca eleições 

O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, anunciou nesta sexta-feira (27) a destituição do presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, de seu vice, Oriol Junqueras, e de todos os secretários regionais, após a declaração unilateral de independência aprovada pelo Parlamento da comunidade autônoma.

Rajoy também confirmou a dissolução do Parlamento da Catalunha e a convocação de eleições para 21 de dezembro. 

O Senado da Espanha aprovou, por 214 votos a favor e 47 contra, a aplicação do artigo 155 da Constituição, que dispõe sobre a intervenção em uma região autônoma do país. 

A crise política foi desencadeada após a realização de um referendo considerado ilegal pelo governo e pela Suprema Corte espanhóis. Na consulta popular de 1º de outubro, 90% votaram a favor da independência -- dois milhões de pessoas, ou 43% do eleitorado catalão.

De acordo com Rajoy, o objetivo do governo não é suspender a autonomia da região, mas sim devolvê-la à "normalidade". "A normalidade começa pela lei, por recuperar a legitimidade constitucional e por devolver a voz aos catalães", declarou o primeiro-ministro.

"É preciso usar os instrumentos pacíficos para recuperar a legalidade. Essa independência é triste e nos leva a ter medo", acrescentou o premier. 

A destituição do governo catalão deve ampliar a fratura na sociedade espanhola, acirrada a cada movimento de ambos os lados da crise.

Até o momento, Madri recusou todas as ofertas de diálogo feitas pela Catalunha, amparada pela posição da União Europeia e de seus Estados-membros de não reconhecer a declaração de independência. 

Também entre os catalães, há resistência contra o separatismo unilateral, como ficou claro nas palavras da prefeita de Barcelona, Ada Colau, que apoiara o plebiscito. "Advertimos o perigo e trabalhamos em público e privado para evitar esse choque. Somos maioria, na Catalunha e na Espanha, os que querem que parem as máquinas, que se imponha o diálogo, a sensatez e uma solução acordada", escreveu nas redes sociais.

O governo também decretou o fim das delegações diplomáticas abertas pela Generalitat em diversas cidades do mundo, como Nova York e Paris, e destituiu o diretor dos Mossos d'Esquadra, nome da força policial da região.    

A intervenção só não atingirá a emissora pública catalã "TV3", a rádio "Catalunya" e a Agência Catalã de Notícias, após o Senado ter aprovado uma emenda proposta pelo oposicionista Partido Socialista Operário Espanhol (Psoe) para evitar restrições à liberdade de imprensa. 

Paz e dignidade

Em seu primeiro pronunciamento após a declaração de independência da Catalunha, o presidente da região, Carles Puigdemont, tinha afirmado que quer "contribuir com a riqueza" desse momento e levar "paz e dignidade" ao "país". Perante uma multidão que entoava gritos de "presidente, presidente", Puigdemont criticou a postura do governo espanhol de maneira indireta.

"São as instituições e as pessoas que, conjuntamente, construímos um povo e uma sociedade. Um povo não pode ser criado de maneira separada da sociedade. Por isso, os prefeitos de vocês representam essa solidariedade entre instituições e a cidadania", disse sob muitos aplausos de milhares de catalães.

O presidente ainda tinha pedido que fossem mantidos "o civismo, a dignidade e a paz" nesse processo para que as mãos de todos possam "fortalecer a Catalunha como uma velha nação da Europa que sempre lutou pela paz".

Ao fim do pronunciamento, todos cantaram o "hino" da Catalunha, "Els Segadors".

Da agência Ansa Brasil