Casa Branca sabia de risco de chantagem russa a conselheiro

Michael Flynn deixou cargo após mentir sobre contatos russos

A ex-procuradora-geral dos Estados Unidos Sally Yates participou nesta segunda-feira (8) de uma audiência no Senado e afirmou que alertara a Casa Branca sobre os contatos do ex-conselheiro para segurança nacional Michael Flynn com o embaixador de Moscou em Washington, Sergey Kislyak.

Flynn havia sido levado ao governo por Donald Trump, mas teve de deixar o cargo em fevereiro passado, após a revelação de que tinha ocultado contatos telefônicos com a diplomacia da Rússia em dezembro, ainda antes da posse do republicano.

As ligações foram interceptadas pelo FBI e captaram conversas sobre as sanções impostas por Barack Obama por conta da suposta interferência do Kremlin nas eleições vencidas por Trump. Em seu depoimento ao Senado, Yates disse que avisara a Casa Branca que Flynn poderia ser "chantageado pelos russos".

 Esse alerta foi feito ao conselheiro Don McGahn em pelo menos três ocasiões, sendo duas pessoalmente e uma por telefone. Perguntada sobre um possível conluio entre a campanha de Trump e representantes de Moscou, a ex-procuradora-geral não quis responder. "São informações classificadas", disse.

Yates ocupou o cargo apenas de maneira interina e foi demitida após ter se recusado a defender o decreto anti-imigração do governo. Atualmente, o Departamento de Justiça, que é comandado pelo procurador-geral (Jeff Sessions), conduz uma investigação sobre a suposta interferência russa para beneficiar Trump.

O caso também é debatido pela comissão no Senado que interrogou a ex-procuradora.