'Financial Times': Paraguai teme crise constitucional

Horácio Cartes ameniza tensões ao anunciar que não buscará reeleição

Matéria publicada nesta quarta-feira (19) pelo Financial Times conta que o presidente do Paraguai, Horácio Cartes, desativou uma crise constitucional ao decidir não concorrer às eleições de 2018, depois que seu plano para contestar a votação levou os manifestantes a incendiar o Congresso em 31 de março.

FT observa que a reviravolta, anunciada em uma carta ao Arcebispo de Assunção na segunda-feira (17), contrasta com a recusa de Nicolás Maduro, da Venezuela, de afrouxar seu poder no poder, enquanto as tensões no país caribenho continuam crescendo.

Times afirma que Cartes disse que sua decisão tinha sido inspirada pelo pedido de paz e diálogo do Papa Francisco. Enquanto isso, a mediação do Vaticano na Venezuela até agora não conseguiu aliviar a deterioração da crise política do país.

A crise do Paraguai se desencadeou depois que o Senado votou secretamente no mês passado em favor de uma emenda constitucional que permitiria a reeleição de ex-presidentes. A câmara ainda não votou a proposta. Mas mesmo se for aprovado, Cartes comprometeu-se a não participar nas eleições do próximo ano, a fim de preservar a estabilidade no Paraguai que é altamente valorizada pelos investidores estrangeiros, aponta Financial Times.

O diário financeiro relata que Grupos empresariais pediram a Cartes, um dos empresários mais bem-sucedidos do país, que não busque outro mandato para evitar mais agitação no quarto maior exportador mundial de soja.

Em sua carta, Cartes disse esperar que seu gesto "aprofunde o diálogo para o fortalecimento institucional da República" e promova "a coexistência harmoniosa entre os paraguaios".

A Constituição do Paraguai proibiu a reeleição desde que foi aprovada em 1992, após o fim de uma ditadura de 35 anos em 1989 sob o comando do general Alfredo Stroessner.

Enquanto vários países da região ainda estão assombrados por memórias do regime ditatorial que proíbem a reeleição, como o Chile e o Peru, outros têm emendado suas constituições para permitir isso, como Colômbia e Venezuela, destaca o Financial Times.

O noticiário acrescenta que Cartes - cujo conglomerado Grupo Cartes tem interesses importantes nos setores de tabaco, refrigerantes, imobiliário e agrícola - esperava que um segundo mandato lhe permitisse aprofundar um processo de reformas que consolidassem o Paraguai como um dos países de mais rápido crescimento na região.

Apesar das grandes recessões no vizinho Brasil e Argentina, o Paraguai tem crescido em média 4,5% nos últimos 10 anos, conclui Financial Times.

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