Durante protestos na capital da Venezuela, Caracas, na tarde desta terça-feira (4), manifestantes contrários ao governo do presidente Nicolás Maduro entraram em confronto com policiais e com supostos grupos chavistas. As forças de segurança da cidade jogaram balas de borracha, spray de pimenta, gás lacrimogêneo e jatos de água para tentar dispersar os manifestantes que tinham como objetivo marchar para a Assembleia Nacional. Os opositores responderam jogando pedras, garrafas e todo o tipo de lixo nos oficiais. Além dos policiais, supostos grupos "chavistas", ou seja, pró Maduro, realizaram disparos contra os opositores na avenida Francisco Fajardo.
O governador do estado de Miranda e um dos líderes da oposição no país, Henrique Capriles, que estava na manifestação, denunciou que os tiros partiram dos "grupos paramilitares do governo" e disse que quem está nas ruas de toda a Venezuela não quer "violência", mas sim "liberdade" já que, segundo ele, trata-se de um "protesto pacífico".
Junto a Capriles também estavam presentes no ato a esposa do ativista atualmente preso Leopoldo López, Lilian Tintori, e o presidente da Assembleia Nacional, Julio Borges.
Os confrontos entre os manifestantes e os policiais tiveram início quando os oficiais fecharam estações de metrô, para dificultar o transporte dos opositores e a praça central e montaram postos de verificação extras na capital venezuelana.
Com medo, parte da população não saiu de casa e lojas fecharam suas portas mais cedo. O protesto havia sido convocado na semana passada após o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) do país ter anulado todas as funções da Assembleia Nacional. O TSJ, espécie de Supremo Tribunal Federal, é fiel a Maduro, enquanto o Parlamento é dominado pela oposição. A decisão da corte gerou protestos por todo o país, além de denúncias de golpe de Estado, e acabou revertida no último sábado (1º).