'Deutsche Welle': G20 começa em clima de crise da ordem mundial 

Reportagem destaca a primeira participação do presidente Donald Trump

Matéria publicada pelo Deutsche Welle nesta quinta-feira (16) conta que os chefes de diplomacia dos países do G20 se reúnem a partir desta data em Bonn, antiga capital alemã, em sua primeira cúpula desde a chegada de Donald Trump à Casa Branca. As atenções estão voltadas para o secretário de Estado americano, Rex Tillerson. A chegada de Trump à presidência gerou um nível de incerteza inédito entre seus aliados tradicionais e muitos governos ocidentais acreditam que esta reunião sirva para começar a esclarecer alguma das questões fundamentais do panorama internacional, da Síria à Ucrânia, passando por Rússia e Irã.

A reportagem aponta que o ministro americano também deve enfrentar questões sobre o conflito entre israelenses e palestinos, depois de Trump causar consternação internacional na quarta-feira ao se distanciar da solução de dois Estados, base da política dos EUA para o Oriente Médio durante décadas.

> > Deutsche Welle World order in crisis mode as G20 meets

Segundo o diário alemão as relações dos EUA com a China também estão no centro das atenções. A reunião marcará o primeiro encontro entre Tillerson e o chanceler chinês, Wang Yi, cuja presença foi confirmada apenas dois dias antes, após um telefonema entre Trump e o presidente Xi Jinping. Durante a conversa, Trump reafirmou o compromisso dos EUA à posição de décadas de Washington sobre a política de "uma só China", em que considera que Taiwan não é um território independente da China. Será também o primeiro encontro de Tillerson com o chancele russo, Sergei Lavrov. O primeiro tour diplomático do governo Trump inclui ainda a presença do secretário de Defesa americano, James Mattis, no segundo dia de reunião da Otan, nesta quinta-feira em Bruxelas; e do vice-presidente, Mike Pence, na Conferência de Segurança de Munique, no sul da Alemanha.

De acordo com Welle, Mattis reafirmou o compromisso de Washington com a Aliança Atlântica, depois de Trump tachar a organização de obsoleta. Mas ele também repreendeu severamente os Estados-membros, afirmando que os EUA vão "moderar seus compromissos" com a aliança a menos que os países-membros aumentem suas contribuições financeiras.

O noticiário diz que ministro alemão do Exterior, Sigmar Gabriel, ressaltou em comunicado a importância do G20 como fórum para analisar de forma conjunta "as causas dos conflitos e as possibilidades de prevenção pacífica". Os organizadores alemães, que não preveem que haja uma declaração final, decidiram não revelar a agenda do jantar de trabalho que será realizado nesta sexta-feira entre os ministros do G20, para que possam abordar de maneira informal todos os pontos não incluídos nela.

Deutsche Welle informa que está previsto que 18 dos ministros das Relações Exteriores dos 20 países-membros (a Índia e Austrália enviam seus vice-ministros) participem do encontro em Bonn, assim como titulares desta pasta de outros países convidados – como é o caso do espanhol Alfonso Dastis – e do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.