'The New York Times: Panamá prende sócios da Mossack Fonseca 

Reportagem destaca colaboração com esquema de corrupção da Lava Jato

O jornal norte-americano The New York Times publicou neste domingo uma matéria onde conta que os fundadores do escritório de advocacia Mossack Fonseca, cujos arquivos deram origem aos Panama Papers, foram presos na quinta-feira (9), no Panamá.  Para as autoridades locais, colaboraram com esquema de corrupção da Lava Jato.

A reportagem conta que segundo uma investigação da Procuradoria Geral do Panamá o escritório de advocacia Mossack Fonseca, especializada na criação de sociedades offshore, atuou como uma organização criminosa dedicada a ocultar ativos de origem suspeita dentro do caso Lava Jato. 

> > The New York Times Panama Arrests Partners in Mossack-Fonseca Firm

O Times acrescenta que antes de sua detenção, Ramón Fonseca havia acusado o presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, de receber doações da Odebrecht. Varela nega as acusações. Em meio a suspeitas, anunciou que as doações para suas campanhas eleitorais serão públicas a partir de agora.

O diário afirma que Jürgen Mossack e Ramón Fonseca foram levados para uma cela na Direção de Investigação Judicial da Polícia, na capital panamenha, depois de prestar depoimento na Procuradoria. A Procuradoria panamenha, que fez buscas na quinta-feira (9) nos escritórios da Mossack Fonseca, acusa os sócios de lavagem de dinheiro. 

NYT informa que de acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, por mais de uma década, a Odebrecht manteve esse "esquema de corrupção em massa", pagando cerca de US$ 800 milhões em subornos a funcionários de governos em três continentes. 

Vários países da América Latina estão realizando investigações sobre supostos subornos da Odebrecht em troca de contratos públicos. O caso já afetou, até o momento, o ex-presidente do Peru Alejandro Toledo, o atual presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e vários parentes do ex-presidente panamenho Ricardo Martinelli, para quem a Odebrecht teria feito pagamentos de mais US$ 59 milhões em subornos.