Sarkozy será julgado por financiamento ilegal de campanha

Ex-presidente é investigado por esquema de recibos falsos

O ex-presidente da França Nicolas Sarkozy (2007-2012) será julgado por um suposto financiamento ilegal de sua campanha nas eleições de 2012, quando foi derrotado pelo atual chefe de Estado do país, François Hollande.

A decisão foi tomada pelo juiz de instrução do polo financeiro do Tribunal de Paris, Serge Tournaire. Segundo a acusação, a campanha de Sarkozy emitiu recibos falsos por meio da Bygmalion, empresa que administrava a candidatura, para esconder o desrespeito do teto de gastos de 22,5 milhões de euros estabelecido pela legislação francesa - o conservador teria desembolsado pelo menos 42,8 milhões de euros.

Outras 13 pessoas também serão julgadas, incluindo funcionários da Bygmalion, ex-membros da União por um Movimento Popular (UMP), ex-partido de Sarkozy, e colaboradores da campanha do ex-presidente. Os acusados ainda podem recorrer para evitar o processo.

Essa será a segunda vez que um ex-chefe de Estado da França ficará no banco dos réus desde o início da Quinta República, em 1958. O primeiro foi Jacques Chirac (1995-2007), condenado em 2011 a dois anos de prisão por ter dado empregos fantasmas quando foi prefeito de Paris (1977-1995).

Devido a seu estado de saúde, o ex-mandatário, que sofre as sequelas de um acidente vascular cerebral (AVC) ocorrido em 2005, não foi para a cadeia. A investigação contra Sarkozy foi aberta em 2014 e revelou um vasto sistema de faturas falsas para dissimular gastos de campanha.

O ex-presidente é membro do partido conservador Os Republicanos e tentou emplacar sua candidatura ao Palácio do Eliseu nas eleições de 2017, mas acabou derrotado nas primárias da direita pelo seu ex-primeiro-ministro François Fillon, que é alvo da Justiça por supostamente ter colocado a esposa, Penelope, em um emprego fantasma na Assembleia Nacional.