Pela 1ª vez, pesquisa aponta derrota de Merkel em eleições

Partido Social-Democrata ultrapassou a CDU, legenda da chanceler

Pela primeira vez neste ciclo eleitoral, uma pesquisa de intenção de voto mostrou o partido da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, na segunda posição na disputa das eleições parlamentares que serão realizadas no dia 24 de setembro.

Realizado pelo instituto Insa e encomendado pelo jornal "Bild", o levantamento coloca a conservadora União Democrata-Cristã (CDU) e sua aliada no estado da Baviera, a União Social-Cristã (CSU), com 30% da preferência, atrás do Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda, que tem 31%.

A última pesquisa feita pelo Insa mostrava a CDU-CSU com 33% das intenções de voto, contra 27% do SPD. A inversão nas posições pode ser explicada pela onda de entusiasmo gerada pela candidatura do ex-presidente do Parlamento Europeu Martin Schulz para o cargo de chanceler, liderando os sociais-democratas.

Com um discurso europeísta e pró-imigração, Schulz conseguiu impulsionar seu partido apesar do crescente sentimento nacionalista existente no país. A sondagem do instituto Insa põe o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) em terceiro lugar, com 12% da preferência.

Já a legenda de extrema-esquerda Die Linke está na quarta posição, com 10%. Até agora vista como "invencível", Merkel tenta seu quarto mandato consecutivo como chanceler e vinha liderando com folga as pesquisas, apesar da perda de popularidade sofrida por seu partido devido à crise migratória.

Ainda assim, se os números atuais forem mantidos, nenhuma sigla conseguirá maioria para governar sozinha, o que forçaria a criação de uma grande coalizão entre CDU-CSU e SPD, repetindo a aliança que já guia a Alemanha desde 2013. Contudo, as eleições de setembro podem fazer os sociais-democratas assumirem a liderança da coalizão.

Após mais de 20 anos dedicados à política europeia, Schulz renunciou à Presidência do Parlamento Europeu em janeiro passado para desafiar Merkel. Sua volta à Alemanha levou à desistência do vice-chanceler e ministro de Economia Sigmar Gabriel, que pleiteava concorrer ao governo pelo SPD.