'The New York Times': Quem Trump não baniu? Pessoas de lugares onde ele atua

Artigo do jornal norte-americano critica ações de novo presidente 

A decisão do presidente Trump de proibir viagens aos Estados Unidos oriundas de sete países predominantemente muçulmanos está sendo justamente contestada nos tribunais por, entre outras coisas, sua interferência inconstitucional com o livre exercício da religião e a negação do devido processo legal, afirma o editorial publicado nesta segunda-feira (30) pelo jornal norte-americano The New York Times. 

O texto destaca que o Presidente Trump omitiu de sua proibição uma série de outros países predominantemente muçulmanos, onde sua empresa tem feito negócios. Isso acrescenta mais ilegitimidade a uma das ações executivas mais arbitrárias da história recente do país e levanta questões constitucionais significativas.

O Times ressalta que os sete países cujos cidadãos estão sujeitos à proibição são relativamente pobres. Alguns, como a Síria, são dilacerados pela guerra civil; Outros só agora estão emergindo da guerra. Uma coisa que esses países têm em comum é que eles são lugares onde a organização Trump faz pouco ou nenhum negócio.

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O diário aponta que por outro lado, outros países muçulmanos vizinhos não estão na lista, embora alguns de seus cidadãos representem um risco tão grande - senão maior - de exportar terrorismo para os Estados Unidos. Entre eles estão a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Egito. A grande maioria das pessoas que vivem nesses países, como as pessoas que vivem nos sete sujeitos à proibição de imigração, são pacíficas e cumprem as leis. Mas esses três países exportaram terror para os Estados Unidos no passado. Eles responderam por 18 dos 19 terroristas que perpetraram o ataque do 11 de setembro em solo americano (ataque que foi dirigido por outro saudita, Osama Bin Laden, com a assistência de um egípcio, Ayman al-Zawahri).

O artigo revela que esses países, ao contrário dos sujeitos à proibição, são aqueles onde Donald Trump faz negócios. Na Arábia Saudita, sua divulgação financeira mais recente do governo revelou várias corporações de Trump. No Egito, ele tinha duas empresas Trump registradas. Nos Emirados Árabes Unidos, ele licenciou seu nome para um resort de golfe em Dubai e um luxuoso empreendimento residencial e spa. Algumas dessas entidades foram fechadas desde então, e outras permanecem ativas.

Um olhar para outras nações com grandes populações muçulmanas só reforça esse padrão preocupante. A Turquia, a Índia e as Filipinas poderiam representar riscos semelhantes aos dos países de origem proibidos que dizem respeito ao presidente. No entanto, Trump fez negócios em todos os três lugares. Eles também são omitidos de sua lista, finaliza The New York Times.