Cerca de 45.000 pessoas deixaram a Gâmbia em meio à incerteza política no país

Este número de pessoas é uma estimativa do porta-voz do ACNUR

De acordo com o governo senegalês, cerca de 45 mil pessoas já chegaram ao Senegal, vindas da Gâmbia, em meio a contínua incerteza política iniciada quando as tropas senegalesas e da África Ocidental entraram no país na quinta-feira (19/01). Teme-se que mais pessoas continuem a deixar seus lares enquanto a situação permanecer tensa.

Os grupos que chegam no Senegal são uma mistura de gambianos, senegaleses e binacionais, bem como ganeses, liberianos, libaneses, guineenses e mauritanos, entre outras nacionalidades. Além disso, pelo menos 800 pessoas partiram em direção à Guiné-Bissau.

As pessoas estão chegando às regiões senegaleses de Fatick, Kaolack e Kaffrine, ao norte da Gâmbia, bem como nas regiões de Ziguinchor, Sedhiou e Kolda, na fronteira sul-gambiana com o Senegal. Os próximos dias serão críticos e mais pessoas poderão deixar o país se, em breve, a situação atual não for resolvida pacificamente.

Mais de 75% dos que chegam são crianças, acompanhadas principalmente por mulheres. Elas estão hospedadas com familiares, com famílias anfitriãs ou em hotéis. Algumas famílias estão hospedando de 40 a 50 pessoas e logo precisarão de apoio, pois podem rapidamente ficar sem recursos. As autoridades do Senegal desenvolveram planos para distribuir alimentos e artigos de socorro para até 100 mil pessoas. Os alimentos incluirão arroz, óleo e açúcar, enquanto colchões, tapetes, cobertores, lençóis e sabonetes estarão entre os itens não-alimentares. Quarenta toneladas de comida chegaram na região de Ziguinchor ontem e a distribuição para os recém-chegados e famílias anfitriãs deve começar nos próximos dias.

O ACNUR, a Agência da ONU para Refugiados, juntamente com outros atores humanitários, está pronto para ajudar as autoridades e fornecer conhecimentos sobre assistência às populações deslocadas. A Agência também está disposta para contribuir com as autoridades para estabelecer um sistema de registo harmônico, assim como para capacitar as equipes de fronteira em relação aos direitos dos refugiados e aos princípios de proteção.

O ACNUR mobilizou equipes de avaliação situacional para as principais zonas fronteiriças do Senegal com a Gâmbia e seus funcionários estão trabalhando em colaboração com as autoridades locais para avaliar as necessidades das pessoas que chegaram ao Senegal. Em Dakar, o ACNUR está constantemente em contato com o Ministério do Interior - encarregado de coordenar a resposta humanitária. A preparação para contingências irá continuar, em colaboração com outras agências das Nações Unidas, ONGs internacionais e nacionais, bem como com parceiros de implementação e governamentais.

A Gâmbia, por sua vez, abriga cerca de oito mil refugiados, principalmente senegaleses, que permanecem preocupados com os acontecimentos políticos que estão acontecendo no país.