'Deutsche Welle': Político alemão chama Memorial do Holocausto de vergonha

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Matéria publicada nesta quinta-feira (19) pelo Deutsche Welle conta que políticos e organizações judaicas manifestaram repúdio nesta quarta-feira (18/01) às declarações feitas na véspera por um membro do partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) sobre a cultura da memória do Holocausto no país.

Segundo a reportagem, durante um comício voltado para a organização juvenil da sigla na cidade alemã de Dresden, Björn Höcke chamou o famoso Memorial aos Judeus Mortos da Europa, situado no centro de Berlim, de um "monumento da vergonha". 

"É profundamente ofensivo e completamente inaceitável descrever o Memorial do Holocausto de Berlim como um 'monumento da vergonha'", disse em comunicado o presidente do Conselho Central de Judeus na Alemanha, Josef Schuster.

"Com estas observações antissemitas e extremamente misantrópicas, a AfD está mostrando seu verdadeiro rosto. Eu jamais acreditaria que um político na Alemanha pudesse dizer tais coisas 70 anos depois da Shoah", afirmou, utilizando o termo hebraico para designar o Holocausto.

> > Deutsche Welle Yolocaust art project challenges how the Holocaust is remembered

Welle destaca que as palavras de Schuster surgem um dia depois de Höcke, líder da AfD no estado alemão da Turíngia, dizer que a história alemã está se tornando "pavorosa e risível".

"Nós, alemães, ou seja, nosso povo, somos os únicos do mundo a ter plantado um monumento da vergonha no coração de sua capital", afirmou. E foi além: "Essas políticas estúpidas de enfrentar o passado nos paralisam – tudo que precisamos é uma virada de 180 graus na política da memória", afirmou o professor de história, que atualmente está de licença.

O diário alemão ressalta que em seu discurso de cerca de 40 minutos, Höcke foi ovacionado por uma plateia de pé e arrancou gritos de "Wir sind das Volk" (Nós somos o povo), lema associado aos protestos que ajudaram a pôr fim na ditadura comunista da Alemanha Oriental e a abrir o caminho para a Reunificação alemã nos anos 90.

O diário alemão acrescenta que em nota nesta quarta-feira, Höcke se justificou dizendo que estava apenas criticando o peso dado ao Holocausto na forma como a Alemanha lida com sua própria história. Ele ameaçou processar quem descontextualizar suas palavras.

O discurso de Höcke provocou reações indignadas de todos os lados, inclusive de dentro de seu próprio partido, finaliza Deutsche Welle.


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